Monday, February 26, 2007

Eu sempre gostei de brincar com colagens…

Talvez porque elas tenham um aspecto atemporal e são multidimensionais como a própria vida. Talvez pela revelação trazida pelos contrastes. Até este blog está sendo escrito como uma colagem.

Claro que a informação numa sequencia lógica torna-se mais fácil para uma rápida absorção. E digestão. Mas quando a gente quer dar o balanço de um dia, qualquer dia, é uma colagem que aparece na mente. A gente mistura a vitória do Flamengo sobre o Vasco por pênaltis com o Oscar do Martin Scorsese. A apreensão de notas faltas em Brasília com a doença do presidente do Iraque. A limada do Aron Brooks do Oakland Raiders com o update do Mozilla. O MSN com o Orkut, o Fotolog com o Blog.

Eu curtia muito fazer colagem com objetos nos anos 60. Lembro que a grande figura de Milton Tierry, conhecido nos meios do cinema e nos da gandaia cariocas, era um dos admiradores das minhas colagens. Não sobrou nenhuma e hoje nem sei se seriam boas. De qualquer modo sempre redimensionavam o momento.

Mas eu sempre curtí fazer colagem com fotos. Na era pré-digital era a melhor maneira de ver um bocado de fotos juntas em exposição. E para mim sempre foi também uma maneira de ter a presença de família e amigos por perto quando eu já estava morando longe. Comecei cobrindo a porta do estúdiozinho onde morei por 10 anos em Greenwich Village. E cheguei ao auge quando a garagem da minha casa em Bristol estava com todas as paredes práticamente cobertas com colagens.


Era uma coisa legal chegar em casa e ver. Parecia que de certo modo eu tinha os amigos me esperando. Os olhos batiam num e noutro. Cada vez um momento registrado com alguém que eu gosto. Momentos em várias cidades por onde já passei ou viví. E também uma forma de ter o Brasil em casa. O meu Brasil. O Brasil que está sempre comigo onde quer que eu esteja.



(da esq. p dir, entre Reginaldo Faria e Paulo José no Rio, em frente à posters do Cloud 9 (uma peça que acebi dirigindo no Brasil) no Soho, de cabeça rapada ao lado de Pedro Carlos Rovai no Rio, entre Natália do Vale e Carmen Lúcia no meu apêzim de NYC, com a Beatriz Schiller, que era correspondente do JB em Nova York e a Betty Farias numa festa na casa da Laurita Mourão, Maria Zilda Bethlem lá em casa no Village, Simone me visitando lá no Village também, com a querida e saudosa Sandra Bréa, com a Maria Pompeu (tudo lá na 8th Street), levantando meu sobrinho Marcio no Central Park (hoje não daria mais pra isto!), e cantando no Bar Five Oaks no Village.)

A única coisa chata foi que quando eu tive que desmontar estes quadros algumas fotos se ferraram, mas os momentos não serão esquecidos. (da esq. p dir, Redi e Eduardo Conde no Hotel Saint André des Arts em Paris (1979), com a Berenice que me ajudou a descolar o apêzinho da Rua 8, com o meu sobrinho Marcio em frente ao Edifício Dakota em NY, Joãozinho Trinta (que apareceu lá em casa uma vez com o Mauricio Sherman), Marilda Pedroso (é... o estudiozinho tinha até uma lareira), Ney Matogrosso na noite da minha festa de despedida em 78, quando eu morava no Leblon, eu - magrinho ainda- em frente ao Hotel Tropical, em Manaus, e Carmen Lúcia com a minha sobrinha Patrícia e no fundo o meu irmão Thomas e eu no apê da Carmen em NY em 1981, acho.)



E só este texto com estas lembranças já redimensiona, como colagem, esta manhã chuvosa e cinza em Budapeste, quando até meu cachorro Joe Montana está com preguiça de brincar...

1 comment:

André said...

Sua Casa é casa de todas, qntas pessoas legais (personalidades) e apenas fã já te visitaram..essa interação que vc mantem com todos nós e o q te faz tão espcial..
Parabéns meu amigo!!!
continue assim!!!