Tuesday, June 2, 2009

NoeMita 1921-2009

Nome: Noemia W. I. de Manuel.

Local onde vive: Curitiba, PR, Brasil.

Frequenta o #brasil-usa desde: Junho de 1997.

Sou a matriarca do canal... bisavó!! hobbies: estudar, jardinagem e acima de tudo mircar.

Aniversário: 07 de Junho.



Este era o resumo da Noemita em Março de 2001, no site do canal de IRC #Brasil-USA. Antes de MSN. Facebook, Twitter, etc... as pessoas se conheciam e faziam amizades usando geralmente o programa mIRC para acessar canais de chat. O #Brasil-USA passou de 100 ops e as pessoas que dele participaram jamais vão esquecer. E menos ainda da Noemia, a bisavó internauta. Uma das pessoas mais interessantes que conheci na internet. Poliglota, culta, estudante de Extensão Cultural na PCU-PR, e sempre pronta para papos com pessoas de todas as idades. Viajava e participava de nossas festas, os IRContros. Vai ficar marcada no coração de todos que a conhecemos, e para mim tornou-se uma amiga querida.

Meus dois últimos papos com ela no MSN:

30 de março de 2009


TouchDown--Tou no Rio, darlingui :D
noemita--Oba! Beleza, darling!!!
noemita--Só agora vi sua chamada! Que maravilha agorea estamos na mesma hora, sem ter que ficar pensando em diferença, pra lá ou pra cá!!
noemita--O que está achando da nova casa?? Muito longe? Outro dia recebi muits fotos do Rio e fiquei impressionada com quantas coisas novas depois que vim pra cá!
TouchDown--bem
TouchDown--ainda tou em fase de adptação
TouchDown--É longe, mas eu sabia
noemita--e o Joe? está gostando do calor???
TouchDown--o Jerry q é pequeno se adapta + fácil
TouchDown--mas o Joe gosta
TouchDown--só q foi muito de repente
noemita--você vai acabar se acostumando!! Morei uns 5 anos em Santo André,durante a 2a. guerra, e pra ir a S. Paulo era ou o trem ou o onibus... Prefiria o trem, muito limpos e confortaveis os antigos
noemita--Logo logo ele vai arranjar amigos e aprender a lingua!!!!
noemita--vc vai ver que logo acostuma!!
TouchDown--claro
noemita--E vc? Está mais feliz agora?
TouchDown--cautelosamanente otimista
TouchDown--:D
noemita-que bom amigo! É isso aí! Aposto que apesar de ter nascido na hungria, sente-se mais em casa aqui, não é? E a sua casa de Bristol?
TouchDown--ta alugada
noemita--isso aqui é melhor do q na Hungria,não é? Apesar do dolar estar sempre em vai e vem, ainda é pelo menos um pouquinho mais do q o dobro do nosso tadinho real...
TouchDown--eu não sei ainda se é melhor
TouchDown--tou fora há 30 anos
TouchDown--preciso de um tempo pra entender
noemita--quanto ao real sempre foi... não sei na Hungria como era
TouchDown--não tou falando em dinheiro
TouchDown--aqui não é mais barato
noemita--A vida está cara em qualquer lugar.ando meio fora do normal, estou tentando descobrir porque ando levando tomos sem razão! Amanhã vou fazer vairos exames
noemita--tombos
TouchDown--isto acontece por acaso
TouchDown--quando vc se distrai em outros pensamentos?
noemita--não, agora estão seguidos, sempre quando estou indo deitar pra dormir! 2 x semana passada, um dia sim outro não e vem de novo!
noemita--Não sei, não tenho motivos pra preocupação!
TouchDown--vc dorme quando já está com muito sono né?
noemita--Minha vidinha sem graça continua a mesma, só estou mais caseira, embora agora tenha até motorista!!! Coisa do meu filho!
TouchDown--Era a hora de vc escrever um livro
TouchDown--e deixar de herança pra o mundo
TouchDown--"As Aventuras de Noemita"
TouchDown--:D
noemita--primeiro tenho que melhorar do resultado das quedas.. os 2 braços estão machucados, hoje estou podendo escrever melhor...mas teria quie ser um volumão... foi tanta coisa na vida...
TouchDown--faz 5 livrios
noemita--vc sabia por acaso que fui jornalista? De carteirinha da ABI?
TouchDown--sei q vc escreve muito bem
noemita--não tenho mais disposição pra ficar sentada escrevendo, e você que dizia q
noemita--foi pra Budapest pra escrever um livro? Sua vida sim, basta até quase você só aumentar um pouquinhos seus blogs e coisas que escreve na internet!
noemita--mas você é melhor!
TouchDown--mas eu ainda quero primeiro fazer mais coisas
TouchDown--ou seja tv etc
noemita--taí uma coisa que eu já nem quero mais..só apreciar meus jardins e ficar tricotando pros netos e bisnetos, vendo filmes da locadora, ou que o Guy grava pra mim!
e também tem a internet!!
TouchDown--então faz o Blog da Noemita
TouchDown--escreve de vez em quando
noemita--o Edu meu neto, até começou umpra mim uma vez...mas não faz muito meu genero, nunca mais andou o tal blog...
TouchDown--hehehe
TouchDown--vou fazer um lanchinho agora
TouchDown--beijo grande
TouchDown--estamos mais perto :D
noemita--a idade está realmente começando a me atrapalhar...canso muito por qualquer coisinha, mas hoje por exemplo tive uma tarde muito movimentada, saí a tarde toda! e estou muito cansada..
noemita--tenho até um enfermeira aqui pra cuidar que eu não caia e ando de bengala!!!!!!!!!!! Toda dourada, muito chique ehehhe
TouchDown--puszi
noemita--Pra vc também querido amigo!!!! Tomara que você logo acomode sua vida e tudo!!! Sempre que estiver on line me chame! Gostomuito de um papinho com vc,viu? Beijinhos mil!


10 de maio de 2009


-TouchDown--Feliz Dia das Mães, darlingui!!! :D
-noemita--Thanks a million, darling friend!!! Was trying to get in touch with you!!!!! How’re you doing back in the outskirts of Rio?
-TouchDown--still waiting for my stuff. It will be inspected by customs on Tuesday, and hopefully delivered on Thursday.
-TouchDown--Have traveled twice already
-TouchDown--Sorocaba, SP
-TouchDown--and Campina Grande, PB
-TouchDown--both trips as a guest for American football events
-TouchDown--of the last one I did a 3 min report which was aired on ESPN last Friday
-noemita--Don't like this new place much?
-TouchDown--It's HUGE
-TouchDown--has great potential
-noemita--Then, when you get your own stuff you cam fill it up´!
-TouchDown--can decorate it
-TouchDown--need some kitchen furniture to fit my stuff
-TouchDown--but no money to buy it now :(
-noemita--Good neighborhood? Joe likes it?
-TouchDown--yea
-TouchDown--both Joe and Jerry
-noemita--Jerry? a Brazilian company for Joe? or is Gerry a cat?
-TouchDown--a Hungarian dog I adopted
-TouchDown--moment.... telephone here
-noemita--Found a place whereto vaccinate them? Here, every now and then cases of rabies appear... Have to vaccinate them every year
-TouchDown--they came perfectly vaccinated.. can't travel without it
-noemita--good! Used to take my dog family every year for vaccine and checkup...
-TouchDown--having mother's day lunch or something?
-noemita--Yes! Lunch here for son, wife, and 3 grandchildren one will see his mother later.
-noemita--Yesterday a celebration day also! My oldest grandson, Luis Eduardo completes his 40th birthday!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Single, and so is they youngest Dr. Lygia Maria...
-TouchDown--Single and happy?
-TouchDown--hehe
-noemita--Looks like... He has already sent to girlfriends away. has his own apartment on a 27th floor in a new neighbor here, and is about graduate in Law...already graduated in electronics engineering...
-TouchDown--Lucas will finish his doctorate this month
-TouchDown--and will get married next year
-noemita--What is Lucas doctorate in what? Greek?
-TouchDown--Physics
-TouchDown--Einstein
-TouchDown--:P
-noemita--That's very nice! Is his future wife the present girlfriend?
-TouchDown--sure
-noemita--That' also a very good sign! This namoro then is quite long, So probably they get along well!
-TouchDown--they sure do! They were here yesterday
-noemita--How nice!!!! Wish I could too. But at Guy's insistence, and my driving license expiring this month, now I have a private driver that come to me 3 days a week, actually 3 afternoons.
-TouchDown--so you can "hang out" :D
-noemita--At least it makes me go out...
-TouchDown--vou dar uma arrumadinha aqui na casa
-TouchDown--beijaum e tudo de bom :D
-noemita--PrA você também meuqueridoamigo!! Adorei este nosso papinho, /faço vots que consiga de uma vez suas coisas de volta! Vai ver que a casa não fica tão grande assim!! Beijinhos mil
-noemita--até breve tá

Bem, espero que não seja breve demais, mas até a próxima darlingui! []s & :******

Friday, May 22, 2009

Hoje eu chorei. Zé Rodrix se foi.


From: Tavito
Date: 2009/5/22
Subject: Luto

Amigos, sinto trazer tal notícia: o cantor, poeta, compositor,
escritor, ator, show-man, palestrante (sobre qualquer assunto),
advogado-que-nunca-exerceu e, acima de tudo, meu parceiro e irmão de
vida mais querido, o nosso Zé, o Rodrix, único, inimitável, nos deixou
para sempre, hoje, dia 22 de maio, à uma e quinze da madrugada. O
corpo será liberado amanhã às onze, hora em que também serão avisados
dos horários de velório e enterro. Com a alma rasgada ao meio, deixo
meu pesar mais profundo / Tavito

Enviada em: sexta-feira, 22 de maio de 2009 07:46
Para: Paulo Mendonca
Assunto: Fwd: Luto - ZÉ RODRIX

Paulinho, estou chocado. Acordei com o email do Tavito abaixo.

Bota A Nova Estrela no ar... em homenagem à ele. Zé foi a minha
ligação com o pessoal para o projeto. Acompanhou a montagem na moviola da RFF. Era meu fan do Falcão Negro, e uma das poucas pessoas que se lembravam e pronunciavam perfeitamente meu nome em húngaro. Meu parceiro em duas das melhores músicas do Jardim e meu parceiro na musica do Cloud Nine.

Foda! Vamos ficando menos.

beijos

André

Paulo Mendonca
to Andre

show details 10:47 AM (31 minutes ago)

André, hoje, às 16 horas é o horário de rebatida do Zoombido, já dedicado a memória do Zé, e logo a seguir vamos colocar a Nova Estrela.
Fico imaginando se ele conseguiu ver o ontem, às 22 hs. o programa.
Pena, né? Ficamos todos mais pobres, sem ele.
Beijo
Paulo Mendonça

O Canal Brasil presta homenagem ao cantor, compositor e instrumentista Zé
> Rodrix - morto na última quinta-feira (21/05/2009), aos 61 anos -, com a
> exibição da entrevista entre Paulinho Moska e o músico. No Zoombido, Zé
> Rodrix fala sobre a música na sua infância e seu processo caótico de
> criação, no qual as letras nasciam de ideias e imagens do cotidiano. Conta
> ainda que utilizava a mistura de ritmos - rock, samba, bossa - como
> ferramenta principal para compor.
>
>
>
> Em seguida, o público confere o curta-metragem A Nova Estrela (1972) (9'),
> dirigido por André José Adler. A produção é uma espécie de pré-clipe – à
> época, ainda não existia o conceito de videoclipe – do Som
> Imaginário, conjunto de rock progressivo formado por músicos como Zé Rodrix,
> Wagner Tiso, Tavito e Robertinho Silva, dentre outros instrumentistas que
> acompanharam Milton Nascimento. O filme é um compilado de imagens embaladas
> pela melodia da música A Nova Estrela, de Wagner Tiso.
>
>
>
> Segue a programação em homenagem a Zé Rodrix:
>
>
>
> Sexta, dia 22/05:
>
>
>
> 16h - Zoombido: Moska entrevista Zé Rodrix
>
> 16h30 - Curta na Tela: A Nova Estrela
>
>
>
> * O programa Zoombido: Moska entrevista Zé Rodrix será exibido novamente no
> dia 23/05, às 13h.

Tuesday, April 28, 2009

André J. Adler itthagy minket

Dias antes de viajar eu dei uma entrevista para o editor do site da MAFL (liga húngara de futebol americano) Gergely Koroknai, autor também desta foto de ilustração. Como foi um papo sincero, e até emocionado, num momento importante da minha vida eu quis compartilhar aqui no blog em português. Aqui está, traduzido do húngaro pelo meu talentoso amigo Nandi Kiss. Nandi, um jovem cineasta que é também ótimo fotográfo foi meu assistente no programa em 2008 e colaborou com idéias e trabalho para o sucesso do programa Touchdown.

Aqui vai o papo:

André J. Adler nos deixará

2009.03.19.

Depois de três anos vivendo aqui na Hungria, André voltará definitivamente ao Brasil, aonde não mora há 30 anos. Em meio a muitos compromissos, nos encontramos no Café Gerbeaud para conversarmos sobre os anos aqui vividos e os futuros planos no Brasil.

Deixo a Hungria mais tarde do que imaginava, já que quando cheguei aqui os meus planos eram de ficar somente por um ano para que eu pudesse conhecer um pouco o lugar onde nasci. Depois apareceram diversas oportunidades e acabei me apaixonando por esse lugar – não somente pela comida, mas em parte também pelo Futebol Americano (rindo).

Eu sempre disse que o Futebol Americano é um esporte que cria uma união e que essa união pode ser importante também fora do esporte. Vi os Hungaros lutarem juntos por um objetivo, coisa que fora do Futebol Americano não ocorre. Logo, é muito triste essa despedida. O principal motivo de minha partida, mesmo que sempre os meus planos eram de voltar ao Brasil, é a minha família, os velhos amigos e o idioma não tão complicado. Lá, “eu não cometo tantos erros” (em húngaro) .

A temporada de 2009 da MAFL (Liga Hungara de Futebol Americano) vai ser muito interessante e eu irei acompanhar os acontecimentos através das matérias que você escreve. Acho que o Budapeste Wolves terá que se preparar melhor para jogar contra o Budapeste Cowboys, que no ano passado os surpreenderam; talvez os Cowboys estão se preparando para uma surpresa ainda maior esse ano. Tem também o Tigers, que agora está na primeira divisão; é um time muito jovem com uma postura muito positiva e acredito que através de seus talentosos jogadores teremos partidas muito boas.

Depois, tem a terceira divisão, onde teremos jogadores que eu gostaria muito de ver mas infelizmente não poderei. A segunda divisão também promete jogos muito emocionantes, já que teremos times que vieram da primeira divisão e tentarão de todas as formas subir novamente. E claro, tem os Predators que mereciam tanto quanto os Tigers estarem na primeira divisão, mas Steve Benefield (treinador dos Predators) é uma pessoa inteligente e não quis se apressar.

Com tudo isso, acredito que será uma temporada fantástica e teria gostado muito se nesse ano também eu tivesse tido a oportunidade de fazer o programa Touchdown Magazine, com o qual queria chegar ainda mais longe; que mais pessoas pudessem acompanhar o programa e os diversos e emocionantes aspectos do Futebol Americano; para pudessem conhecer melhor os maiores jogadores e para que os próprios jogadores pudessem se conhecer melhor, e ainda para que pudessemos mostrar ainda melhor as regras do esporte. O ano passado foi muito bom: Mostramos aqueles hungaros que tiveram papel muito importante na NFL, já que aqui eles não eram tão conhecidos. Mostramos que o Futebol Americano estava no “sangue” deles.

Me mudo da Hungria, deixarei o país, mas o país nunca me deixará, será sempre parte de mim. Deixarei a “porta aberta”, - Estou aqui, arrumem um canal ou dinheiro para o programa e eu voltarei. Talvez para a final do campeonato estarei novamente por aqui, quem sabe? Só a unica coisa que é muito triste é que aquelas pessoas que comandam os canais de televisão nesse país não dão devida atenção ao fato de poderem investir em um esporte que os Hungaros praticam. A maioria dos esportistas hungaros somente são mostrados na época das Olimpíadas, não há um devido incentivo ao esporte. É verdade também que já não existe uma “Seleção de Ouro” (citando a seleção de futebol da década de 50), mas se não incentivamos os esportistas, não há esporte.

Agora quanto a TV, o Futebol Americano é um esporte feito para a Televisão, ainda mais em um programa de compacto é ainda melhor pois por se acaso o jogo não é tão bom, pode-se mostrar os melhores e mais emocionantes momentos somados com outras curiosidades. Resumindo: Há a audiência e também há o esporte mas os responsáveis dão preferência aos “produtos baratos” comprados de fora. Eu só espero que com o passar do tempo os dirigentes televisivos mudem pelo menos a forma de pensar e dêm mais importância ao Futebol Americano que cresce de uma maneira generosa e não pode parar, e eu ajudarei com todo o prazer do mundo da forma que posso, até mesmo não estando por aqui.

No ano passado, um dos momentos mais importantes foi quando nos reunimos na casa da Embaixadora Americana. Ao meu ver, foi um grande acontecimento do qual tenho muito orgulho. E não somente pelo fato de eu ter organizado esse acontecimento, mas sim, porque foi voltada a atenção ao Futebol Americano na Hungria – não somente aos jogadores e aos técnicos, além dos times que ali estavam, senão todos que muito fizeram pela NFL – que foram lembrados no discurso da embaixadora April H. Foley.

Sendo assim, eu estou indo embora mas uma parte minha ficará por aqui, aonde quer que eu esteja e independentemente do que eu estiver fazendo, eu só estarei a uma distância de um e-mail.


A princípio você disse que pensava em ficar na Hungria por menos tempo do que acabou ficando. Poderíamos dizer que no ano passado você pensava em ficar mais tempo ainda por aqui?

Sim, no começo eu disse: Ok, vou passar mais ou menos um ano na Hungria para poder escrever um livro. Essa foi a idéia que eu tinha quando vim, por isso mesmo é que eu fui morar em “Rákoskert” (distrito localizado nas redondezas de Budapeste), lá ninguém irá me perturbar. Mas depois muitas coisas aconteceram, surgiu a possibilidade de comentar o College Footbal com o Zoltan Hethéssy, que é um grande profissional e se tornou um grande amigo e companheiro de trabalho. Depois eu “ganhei” a oportunidade do László Tóth (presidente da Liga) de fazer o Touchdown Magazine, onde eu era o responsável por tudo que as pessoas gostavam (ou não) de ver, claro que a camera não era eu quem a manejava. Se era do agrado da audiência eu agradeço, senão eu sou o culpado. O László Tóth sempre apoiou a idéia, e se dependesse dele, neste ano também haveria um Touchdown Magazine na TV ainda melhor, eu sei que ele fez de tudo para que houvesse mas as vezes o tudo ainda é pouco para que algumas coisas funcionem. A gente sabe que a Hungria funciona dessa forma. Foi uma grande surpresa que as coisas aconteceram desta forma e no ano passado quando vimos que evoluimos eu disse: Ok, vamos fazer mais uma temporada. Eu sinto que quando faço algo que gosto, eu me sinto em casa, mas quando não há o que fazer... mesmo que eu já esteja na idade de me aposentar, a minha mente ainda não está na idade. E se eu não a uso, eu a perco, e eu quero é usá-la, até quando eu puder.


E em que pé está o livro?

Nenhum (rindo). Algumas coisas eu coloquei no meu blog, ali estão as anotações. Estão em português e eu não o atualizo muito.

A minha vida é muito estranha: Eu nasci aqui na Hungria, cresci no Brasil e depois me mudei para os Estados Unidos, fui ator quando garoto, depois virei Narrador Esportivo, muitas coisas... Conheci muita gente que nunca imaginei conhecer: De David Bowie a David Rockefeller. E claro, também conheci alguns traficantes no Washington Square (brincando). Conheci muitos famosos que eram interessantes e também muitos que não eram, e também muitas pessoas que não eram famosas e que eram pessoas extremamente interessantes. Resumindo, eu teria muita coisa para escrever nesse livro, mas mesmo tendo um ego, o que claro até certo nível não faz mal, mas depois... Claro se alguma outra pessoa quiser escrever um livro sobre mim, dai já é outra história.


E o que vai ser se não tivermos nem dinheiro, nem um canal de Televisão para o programa? Mesmo assim você virá nos visitar?

Estou aberto a tudo. Sou um pouco como a borboleta, se há alguma flor que sorri para mim e pede para ser beijada, então eu vou até ela e a beijo.


E o que você irá fazer no Brasil?

Bom, pelo fato de eu por muito tempo ter narrado para a audiência brasileira, eu recebo diariamente muitos e-mails: que alguém pratica o Futebol Americano porque me escutava de pequeno, ou assiste por minha causa. Mas os méritos não são só meus, já que eu usava os microfones da ESPN. Se não houvesse o microfone, isso não teria ocorrido. Mas quando eu o podia usar, usava de verdade, usava para motivar as pessoas a assitirem e praticarem o esporte da bola oval, e elas assim fizeram. Hoje o Futebol Americano existe desde o Amazonas até o Sul do Brasil, e a verdade é que os amantes do Futebol Americano me consideram muito.

Mas a Hungria está numa melhor situação já que no Brasil este ano será a primeira vez em que vários times irão jogar com o equipamento completo, aqui o acesso para conseguir os equipamento é mais fácil. No ano passado eu narrei o primeiro jogo onde ambos os times jogaram com o equipamento completo.

Acredito que continuarei a motivar as pessoas. Gostaria de continuar na TV, mas antes preciso me adaptar novamente ao Brasil, 30 anos passaram. Preciso me ”traduzir” ao português novamente. Depois veremos como será, a aventura continua.


Então de qualquer forma você gostaria de continuar ligado ao Futebol Americano e à Televisão.

Desde sempre estive na TV. Nunca precisei fazer com que eu ficasse perto do Futebol Americano já que ele que sempre esteve ao meu lado. Com certeza vão acontecerer coisas emocionante no Brasil, só que antes preciso ver como será, da mesma forma quando cheguei aqui. Digamos que irei ao Brasil escrever um livro. Daí claro que provavelmente não escreverei livro algum.


O que você leva com você desses três anos de Hungria?

Uma das coisas mais incríveis, graças ao programa, foi o fato de eu poder percorrer o país, tive a oportunidade de conhecer as cidades e suas diferenças. Também o fato de ver que não existe somente a língua hungara de Budapeste, apesar de eu somente saber falar esta. Aprendi que este é um país maravilhoso, com um solo rico e frutas maravilhosas e que por algum motivo que eu desconheço, não é aproveitado. Acredito que os húngaros tem uma identidade muito valorosa, mesmo se amando e se odiando ao mesmo tempo. E acredito também que o país depende muito da geração que virá, porque a geração de agora, falhou nessa ”missão”.


Você aprendeu alguma coisa sobre o Brasil ou Estados Unidos durantes os anos que você viveu aqui?

Tenho um grande amigo, o Péter Szigeti, que podemos dizer que já há um bom tempo é o meu amigo; nos falavamos muito pela internet. Há alguns anos atrás quando eu nem imaginava viver aqui, eu disse a ele: Engraçado, mesmo eu estando no show business desde os meus 12 anos de idade, tendo feito teatro, cinema, TV, tendo trabalhado como ator, diretor e produtor, mesmo assim, na Hungria nem sabem que eu existo.

Isso foi há alguns anos atrás, mas agora já é diferente pois tive a oportunidade de fazer e e fiz. Fiz algo pelo país onde nasci a algumas quadras daqui (mostrando na direção da casa de seus pais). Espero ter podido ajudar a alguém, já que aprendi muito e espero que alguém também tenha aprendido comigo. Aprendi que sempre serei Húngaro, sempre serei Brasileiro e sempre serei Americano, mas o que eu sou mesmo é: Um habitante no Planeta Terra.


O que você acha que te espera no Brasil?

Volto ao Brasil depois de 30 anos, muitos velhos amigos e novos também, além da minha familia, me esperam, e sinto que no programa também fiz muitas loucuras, como por exemplo, levei um ”Sack”, subi em uma grua gigantesca, fiz coisas que nunca havia feito na minha vida ”normal”, mas fiz pelo programa, fazia qualquer coisa pelo programa se era interessante. Resumindo, acredito que alguma coisa assim me espera no Brasil. ”Estou de frente para o mar e se eu mergulhar, não sei se vou me confrontar com um tubarão ou uma sereia”. E se for um tubarão, com certeza não será de Györ (referência ao time da cidade de Györ, os Tubarões de Györ – Györ Sharks)

Monday, February 23, 2009

Shalom, Ida Gomes!

“RIO - Com 85 (sic) anos de idade e 65 de carreira, Ida Gomes morreu domingo, às 19h, em consequência de uma pneumonia, no Hospital Samaritano. Apesar de já estar doente, ela não deixou de ensaiar nas últimas três semanas. Além disso, estava preparando a peça "Idas e vindas", que estava sendo escrita para ela. Ela deixa um irmão e quatro sobrinhos. Ida Gomes será sepultada segunda-feira no cemitério israelita de Vilar dos Teles.” O GLOBO

Além de um irmão e quatro sobrinhos, Ida deixa muitos amigos, lembranças indeléveis dos seus inumeros trabalhos no teatro e na televisão, milhões de fans, e os colegas que tiveram o privilégio de contracenar com a grande atriz. Eu fui um deles.

Ida foi uma destas poucas pessoas de quem eu jamais ouví “falar mal”, coisa infelizmente rara no nosso universo de trabalho. Era uma presença poderosa e positiva. Mulher culta, poliglota.
Até Betty Davis teria sentido-se honrada por ter sido dublada por ela nos seus melhores filmes mostrados na televisão.

Um dia, eu tinha 12 anos, fui fazer um teste na Tv Tupi para um papel num teleteatro. O diretor, Mauricio Sherman, me levou para uma sala e me deixou lá sózinho lendo o script da peça. Depois, o Sherman voltou para a sala trazendo a Ida Gomes. Foi uma emoção muito grande. Me sentí valorizado. Eu já tinha assistido a Ida em muitos programas, sempre fazendo personagens fortes. Lemos o texto juntos, ela era a mãe cleptomaníaca e eu o filho cujo pai queria proibir o reencontro com a mãe. Não tenho como ter uma visão crítica e distanciada daquele distante momento. Mas lembro que foi fácil e muito prazeiroso. Ganhei o papel no Teatro das Nove e Meia. Foi quando começou tudo que sou.

Nosso último encontro foi no Rio, na minha festa de aniversário de 60 anos. Uma grande festa onde reví pessoas importantes e queridas dos muitos microcosmos do meu Universo. Ida estava lá. Alegre, querida por mim e por todos.



Aparecem nestas fotos além de Ida e eu, Maria Pompeu, Aracy Cardoso, Reginaldo Faria, Fernando Reski, e Luis Carlos Buruca. Pompeu, Aracy e Ida foram minhas mães teatrais.


Que bela vida ela viveu.

Trabalhamos em cinema em 1969, no filme "A Penúltima Donzela" de Fernando Amaral, e irônicamente, a primeira atriz com quem contracenei, estava também entre as atrizes na última vez que trabalhei como ator na tv, muito antes de qualquer touchdown...


Do widzenia, Ida!

Monday, February 2, 2009

Espírito esportivo e disciplina ajudam.


Eu estava bastante surpreso com o nome Arizona ligado a Super Bowl em situação outra que como estado anfitrião do evento. O Cardinals conseguindo aparecer no Super Bowl não seria o palpite de nenhuma pessoa que acompanha a NFL profissionalmente quando começou a última temporada. Mas depois de assistir o desempenho do time contra o Philadelphia Eagles no Campeonato da NFC eu fiquei bastante preparado para uma possivel vitória sobre o superior Pittsburgh Steelers.

Eu escolho não torcer por nenhum dos dois times, não aposto, e reluto em fazer previsões. Gosto mais de assistir o jogo me sentindo isento e observador. Ainda mais neste Super Bowl disputado no mesmo estádio em que narrei o Super Bowl XXXV, tendo de um lado um time comandado pelo Kurt Warner cuja bela vitória contra o Tennesse Titans no Super Bowl XXXIV eu narrei no Georgia Dome em 2000, e o outro pelo simpático Ben Roethlisberger que entrevistei em Detroit, durante a semana de cobertura do Super Bowl XL. É engraçado quando você já teve um contato pessoal com os caras. Cria uma simpatia e fica mais difícil torcer contra.

Eu já disse que costumo torcer para que o time que jogar melhor e merecer mais sair vencedor. Mas confesso que ontem, antes do jogo, eu estava torcendo pelo Arizona Cardinals. E isto por duas razões. A primeira porque acho que seria uma boa história, seria bom para o esporte. E a segunda pelo Kurt Warner. Eu admiro quando alguém que esteve por cima cai, e consegue subir de novo pelos seus próprios méritos. Isto já me aconteceu na vida e espero que aconteça de novo pois a sensação é muito boa. E foi isto que aconteceu com o Kurt Warner nestes últimos anos.

Mas com o andamento do jogo estes meus sentimentos pessoais foram para o segundo plano. O Pittsburgh Steelers estava jogando muito melhor e merecendo vencer. O esforço do Cardinals foi incrível para tentar reencontrar o seu melhor jogo. Não vou comentar detalhes do jogo aqui porque isto pode ser lido em centenas de sites e blogs.

Mas com momentos como o retorno de interceptaçao para touchdown de 100 jardas de James Harrison, os dois touchdowns de Larry Fitzgerald, marcadíssimo, quando teve a chance, e a atlética e quase mágica recepção de TD de Santonio Holmes, acordei (com grande déficit de sono) pensando nas 106 jardas com as quais o Cardinals presenteiou o Steelers através de 11 faltas. A maioria delas não sendo false starts ou offsides por falta de concentração, mas um coquetel de movimentos anti-éticos como Chop Block, Roughing the Passer, Unnecessary Roughness, Face Mask, além de Holdings caros. Então, só quero deixar uma pergunta no ar: Como teria sido o jogo se a equipe do Cardinals tivesse tido mais disciplina?

E este tema é muito bom para os times brasileiros discutirem entre si.

P.S.: Parabéns para o primeiro Hexacampeão do Super Bowl, o Pittsburgh Steelers, e para a sua torcida. E alô, Dallas Cowboys e San Francisco 49ers... quantos anos vai durar este recorde?

Friday, January 16, 2009

Comemorando a NFL - Part IV

SUPER BOWL XL- 5/2/2006
Ford Field - Detroit, Michigan
Seattle Seahawks 10
Pittsburgh Steelers 21











Wednesday, January 14, 2009

Comemorando a NFL - Part III

SUPER BOWL XXXIX- 6/2/2005
Alltel Stadium - Jacksonville, Florida
New England Patriots 24
Philadelphia Eagles 21








Tuesday, January 13, 2009

Comemorando a NFL - Part II


SUPER BOWL XXXV 28/1/2001
Raymond James Stadium
Tampa, Florida
Baltimore Ravens 34
New York Giants 7









Monday, January 12, 2009

Comemorando a NFL - Part I

Baltimore Ravens e Pittsburgh Steelers na AFC e Arizona Cardinals e Philadelphia Eagles na NFC, vão disputar no próximo fim de semana os campeonatos de conferencia para decidir que times disputarão o Super Bowl XLIII em Tampa.

Acho que ninguém teve o privilégio que eu tive de transmitir o Super Bowl para o Brasil 8 vezes. Cinco vezes estive presente no evento. Compartilho esta semana algumas fotos que tiramos (alguns tiraram de mim e eu tirei de outros). Quem tiver perguntas, pode fazê-las no espaço para comentários abaixo desta postagem. Comentários também, claro!


SUPER BOWL XXVII - 31/1/1993
Rose Bowl - Pasadena, California
Dallas Cowboys 52 Buffalo Bills 17




SUPER BOWL XXXIV 30/1/2000
Georgia Dome - Atlanta, Georgia
St. Louis Rams 23
Tennessee Titans 16










Breve: Super Bowl XXXV

Tuesday, January 6, 2009

Primórdios da Bola Oval no Brasil

Um email da Lista Redzone de 15 de Janeiro de 2000, e a matéria veiculada nos Playoffs de Divisão da AFC, no último jogo de Dan Marino (Jacksonville Jaguars 62, Miami Dolphins 7).

Re: Matéria ESPN

From: "Alexsandro Sabino" alexsabino@********.com.br

Sensacional a matéria com os integrantes da ABTFA. Achei que a edição ficou excelente. Parabéns a todos os membros da Associação que fizeram esse sonho se tornar realidade e ainda mais André José Adler, que tornou muitas coisas possíveis, inclusive a veiculação dessa reportagem a nível mundial.

Alexsandro

obs.: só não 'colou' aquela conversa do Luis dizer que o boné era do ravens,
mas ele torcia pro Luis Giants :-)))



Sunday, December 28, 2008

Presente para Ano Novo!

Eu estava planejando colocar aqui no blog um tipo "Year in Review" com fotos. Afinal a aventura de 2008 não foi pequena. O plano acabou quando ganhei o presente abaixo da minha amiga Susy Dienstbach. Apareceu como um scrap no meu orkut. Mas é mais que uma revisão do ano em fotos, é uma revisão de vida em fotos. Mais uma homenagem que ganho em vida, que poucos vivem pra ver! hehe! Quero compartilhar aqui com vocês!

Está no Slide.Com

Friday, December 26, 2008

IN MEMORIAN - Yellow FS 29, Jaraguá Breakers

25/12/2008 22:46:59
Diego Bayer
meu amigo Adler
Diego Bayer
uma triste notícia para dar neste Natal
TouchDown
oq?
Diego Bayer
um jogador do nosso time, Yellow, faleceu hoje a tarde de acidente de moto
TouchDown
:(
TouchDown
q triste
TouchDown
eu o conheci?
TouchDown
fala
Diego Bayer
conheceu sim
Diego Bayer
ele jogou a final
Diego Bayer
nº 29

Não posso explicar a triste sensação. Yellow tinha 19 anos. Escreví no orkut dele:

"André José Adler:
Que sei eu sobre a duração de uma vida? Quando ela é curta sempre é um choque. Quando a minha se acabar espero narrar um touchdown de retorno do Yellow no campo onde ele estiver. Meus sentimentos para a família e os amigos."


Sinto que quando há uma perda assim, o luto é para todos nós, que vivemos de alguma forma a bola oval no Brasil. Esta é a minha homenagem.

ORKUT do YELLOW: http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=6955401504002477418

Thursday, December 18, 2008

Bola Oval há 3 anos...


Dei de cara com um script que escreví em 14 de dezembro de 2005 para o quadro "Bola Oval" que gravava para o Bate Bola da ESPN Brasil. Interessante comparar com o momento. Com as coisas que aconteceram e as coisas que não aconteceram. O que esperávamos e o que de fato rolou...


imagens: cortesia Susy Dienstbach

Thursday, December 11, 2008

UM JOGADOR BRASILEIRO NO GREEN BAY PACKERS!

[Esta matéria pode e deve ser difundida livremente em todo ou em parte por colegas da mídia profissional, blogueiros, fans de esporte, amigos e familiares. Agradece-se a citação da origem.]


No ano passado eu estava comentando, aqui na Hungria, um jogo de Louisville contra Connecticut creio, e dei de cara com o nome Breno Giacomini no elenco de jogadores. Até disse no ar que o nome Breno é um nome bem brasileiro, como se isto fosse fundamental para a cultura do telespectador húngaro. Meu parceiro de transmissão Zoltan Hetthessy ajudou com algum comentário benéfico e depois da partida eu esquecí e já estavamos conversando sobre o próximo jogo da NCAA que faríamos.

No mês passado, pouco depois de voltar da minha viagem, recebí um email do meu amigo e incentivador Alvaro Martin, (que muitos brasileiros conhecem atrávés de muitos anos de NFL Semanal, e de jogos com geração da ESPNdeportes) me dando o toque de que tinha um jogador brasileiro no Green Bay Packers: Breno Giacomini!





Acho que todos os brasileiros que acompanham futebol americano já há alguns anos lembram-se do Damian Vaughn, filho de pai americano e mãe brasileira. E muitos se lembram da alegria que ele causou quando visitou o Brasil com o Tony Gonzales do Kansas City Chiefs. Muitos conheceram este tight end que até representou o Barcelona Dragons no All Star Team da NFL Europe em 2000, e foi contratado pelo Tampa Bay Buccaneers onde já teria jogado a temporada de 2002 se não fosse por uma contusão da qual não mais se recuperou. E todos os brasileiros estavam torcendo por ele.

Graças à gentileza da NFL, entendendo a alegria que um jogador de origem brasileira pode nos causar, e a cortesia do Green Bay Packers, hoje recebí um telefonema do Breno e batemos um papo.

Durante 27 anos nos Estados Unidos conhecí muitos mineiros, principalmente de Governador Valadares, que para lá imigraram buscando uma vida melhor. Trabalhadores incansáveis, muitos fizeram um pé de meia e voltaram para o Brasil, muitos lá ficaram e constituíram familias e seus filhos lá nascidos integraram se na vida americana, mas sempre mantendo suas raízes brasileiras. É o caso do Breno.

Falei do nosso encontro telefônico marcado com algumas pessoas em papo no msn, e pedí até que colaborassem com algumas perguntas. Dennis Prants, do campeão do SC Bowl quis saber qual a sensação de entrar no Lambeau Field, sabendo toda a sua história. Breno disse: “É tudo! E você sabe que tem que entrar para jogar mesmo.” E quanto à história, a organização do Packers cuida que ninguém esqueça onde está. Há sinais por todos os lados.

O Fabiano Alves, um dos moderadores da Lista Redzone, queria saber qual era o maior desafio em estar no time que iniciou as dinastias na NFL, e Breno muito imediatamente respondeu que o desafio é tentar ser sempre melhor. Jogar sempre melhor.

Giacomini é um bloqueador, um offensive tackle no Packers. Este é o seu primeiro ano na NFL e por enquanto participou dos 4 jogos de pré temporada de Green Bay e da vitória de 48 a 25 sobre o Detroit Lions na Semana 2 , quando jogou também em special teams.




Mas no Cardinals da Universidade de Louisville, a mesma que revelou talentos para a NFL como Johnny Unitas, Deion Branch, Sam Madison, e David Akers, Breno Giacomini além de jogar como bloqueador jogou também como tight end e marcou um touchdown em 2005 na vitória de Louisville sobre Rutgers. Ele lembra este TD até hoje como um grande momento: “o time estava na linha de uma jarda, fiz um roll out pra direita e recebí o passe do Brian!”

O Brian em questão é o quarterback Brian Brohm, que foi recrutado também este ano pelo Green Bay Packers, na segunda escolha da segunda rodada do Draft 2008, para ser reserva do Aaron Rodgers. Perguntei ao Breno que tal treinar com o Brian agora no Packers. “É ótimo! Nós moramos juntos. É tipo como um irmão.” O bloqueador Jason Spitz, também recrutado pelo Packers, foi outro colega de time em Louisville. Breno, que não chegou à se encontrar com Brett Favre, fala muito bem do QB Aaron Rodgers com quem ja tem uma boa relação e garante que Rodgers vai levar Green Bay longe.

Breno, recrutado em 15º lugar na 5ª rodada do Draft, disse q a espera foi tensa mas a alegria maior. Com grande festa de família e amigos. Seus pais mineiros entendem bem o futebol americano já que ele começou a jogar ainda na Malden High School, em Massachussets, e apoiam a sua carreira, A mãe dele ficou particularmente feliz, já que ele garantiu seu diploma de Administração Desportiva na universidade. Breno quer continuar em esporte para sempre, como técnico, ou o q seja.

Ricardo Trigo, do Corinthians Steamrollers, quis saber se Giacomini, sendo filho de brasileiros, jogou muito futebol com os pés. E de fato Breno jogou com a bola redonda até trocá-la pela oval na escola. Ele era goleiro. Comentei com ele que vários técnicos da NFL que entrevistei através dos anos disseram que o maior diferencial no futebol americano era a necessidade de um total espírito de equipe. “Usamos capacetes”, me disse uma vez o técnico Bill Cowher na semana que o seu Pittsburgh Steelers venceu o Super Bowl XL. Breno concorda e assinala que num time de futebol dois jogadores destaques muitas vezes já garantem uma vitória.

A nossa conversa foi em português que ele fala bastante bem e em inglês no qual é naturalmente mais fluente. Ele não estava muito à par do andamento da bola oval no Brasil. Agora já está mais...

Quis pegar também uma pergunta com o Everaldo Marques, da ESPN, que mandou bem: “Hoje no Brasil a NFL é muito popular entre os garotos na faixa de 10-15 anos, e muitos sonham – why not? – em chegar à NFL um dia, Existe algua dica que você possa dar para este pessoal?” A dica do Breno é... trabalhar. Todos os dias. Ser determinado. Muitos podem tentar desencorajar, como até com ele aconteceu. Determinação. “Sem trabalhar não vão chegar”, ele completa.

Breno já esteve no Brasil umas 10 vezes visitando a família. A mãe dele gosta muito dele estar jogando no Packers, onde até as cores são as da bandeira brasileira. Perguntei (e já pedindo) se numa próxima visita ele poderia contribuir com o conhecimento e a experiencia dele conversando com a galera que joga, dando uma clínica ou coisas assim. A resposta dele foi um entusiástico... “sim, com prazer”! Tudo pode acontecer.

Go Breno! A bola é sua!

Video com Breno no Vestiário do Green Bay Packers

Monday, June 9, 2008

Meu pitaco no Futebol Americano -Depoimento ao Everaldo.

O Everaldo Marques da ESPN está escrevendo uma monografia sobre futebol americano e me fez umas perguntas tão boas que me inspiraram respostas que contam tudo (ou quase...) Aqui está o papo.


- Para você, pessoalmente, como "estrangeiro" (não-norte-americano), quais foram as principais dificuldades de aprendizado/entendimento do jogo no início do seu contato com o futebol americano?

Uma das dificuldades foi certamente ter crescido num ambiente onde o esporte não era práticado, transmitido, sequer noticiado. Como todos no Brasil, as minha memórias de infância são de futebol. E algumas nem muito boas, pois quase fui espancado no colégio por ter nascido na Hungria, quando a Hungria eliminou o Brasil na Copa de 54. Por outro lado, poucos anos depois o treinador Gyula Mandi foi para o Rio ser técnico do América, e amigo do meu pai que era, jantava lá em casa umas três vezes por semana. Aprendí um pouco de judo em academia quando menino, e esta era a variedade do meu universo esportivo. Mas quando fui escoteiro, um chefe havia ido aos Estados Unidos, e introduziu o flag football na tropa. Eu achava muito divertido, mas como a gente usava os póprios lenços dos uniformes, eu pensava que aquilo era apenas uma brincadeira de escoteiros. Nem sabia que tinha a ver com futebol americano.

A primeira vez que prestei atenção na garra e importância do futebol americano foi em 1978, quando – irônicamente- me aventurei à morar um tempinho em Paris, e fui assistir o filme “O Céu Pode Esperar” com Warren Beatty.

Em 1979 eu fui morar em Nova York, e no meu processo de integração aos Estados Unidos o “football” teve um papel muito pequeno. Mas rodeava o meu cotidiano, assim como os outros esportes americanos. Foram poucos jantares de Thanksgiving que fui, através dos anos, sem a TV estar ligada num jogo da NFL. E nomes como Pete Rozelle, Terry Bradshaw, Joe Montana, Don Shula, Lynn Swann logo fizeram parte da minha absorção cotidiana de noticiários assim como Jimmy Carter, George Steinbrenner, Ronald Reagan, Robert De Niro, Wayne Gretzky ou Meryl Streep.

Quando comecei a transmitir futebol americano em 1992, a única coisa portanto que eu tinha a meu favor, era estar aclimatado e menos „estrangeiro” quanto ao contexto de sua popularidade na cultura americana.

- Como surgiu a oportunidade de transmitir o futebol americano e quais foram as suas preocupações iniciais em termos de linguagem? Existia preocupação em ser didático?

Honestamente eu nunca pensei que teria qualquer envolvimento profissional com esportes. A minha experiencia no Brasil, dos 12 aos 34 anos (quando cheguei nos Estados Unidos) englobou televisão, cinema, teatro, propaganda, Como ator, autor, diretor, produtor, roteirista, assistente de direção, iluminador, e sei lá o que mais. Este sempre foi meu universo.

Em Nova York fiz cursos de teatro, dirigí off-off Broadway, fui ator, dublador, guia de turismo. Trabalhei no marketing da New York Chamber of Commerce, fui tradutor, legendei em inglês programas da Rede Globo, fui professor de técnicas de desinibição para executivos, e gravei muitas locuções para o Brasil. Desde ser a voz do presidente da IBM e dos elevadores Otis para o Brasil até gravar o video de vendas da MTV para afiliadas brasileiras, e o da ESPN. Isto tudo através de agencias.

Uma delas me ligou uma vez para que eu fizesse um teste para a ESPN. Pensei que era apenas mais um video e pedí que mandassem o meu demo. Pouco depois me ligou uma brasileira, casada com um colega da Globo, que havia sido contratada para recrutar vozes em português para os programas da ESPN e me convidou para fazer um teste em Connecticut. Delicadamente eu disse que não queria perder o tempo dela ou o meu, que eu era torcedor fanático do Brasil em época de Copa. Mas o meu acompanhamento de esportes era limitado mais ou menos a isto.

Mesmo assim, eu liguei o “por que não?” e fui a Bristol, onde gravei um programa de highlights de futebol alemão, e como não tremí no microfone poucas semanas depois me ofereceram o emprego que era apenas de sábados e domingos.

Era uma equipe pequena, e a gente fazia até 3 programas por dia. A gente assistia aos videos, fazia anotações e ia para a cabine. Usando o que eu sei, e bem na filosofia da ESPN, eu me concentrava em fazer os programas divertidos enquanto em casa estudava uma batelada de livros sobre regras de diversos esportes. Enfim, começamos a transmitir esportes ao vivo, e à mim coube o golfe. Um esporte muito fácil de entender e mais fácil ainda de narrar, desde que se esteja bem dormido.

O Ivan Zimmermann começou a fazer o futebol americano, junto com um rapaz americano que explicava bem o jogo, mas seu sotaque tornou-se inaceitável. Arrumaram um outro brasileiro (a ESPN era um entra-sai total) que durou pouco. O chefe do serviço, Esteban Gonzales, me chamou e disse que eu teria que aprender e fazer futebol americano e mais, que iríamos transmitir o Super Bowl XXVII ao vivo do Rose Bowl, em Pasadena. Eu reagí contra, pois nem sequer havia pensado nisto. Ele manteve a sua decisão e disse que eu iria acabar gostando. Pois é. Ele tinha razão.

Então sim, vieram as dificuldades de aprendizado. O paraguaio Benny Ricardo, que havia sido kicker do Vilkings, era o comentarista em espanhol, nos deu algumas aulas básicas. O narrador Alvaro Martin, grande conhecedor de futebol americano, me ensinou muito e foi a pessoa que muito me incentivou. Durante o que restava da temporada, eu me limitei ao mais básico. Eu narrava e, a contragosto, o Ivan comentava. Quando finalmente fomos fazer o Super Bowl, o Ivan insistiu em narrar e pouco sobrou para mim comentar. Pessoalmente, eu me fascinei com o espetáculo e com a habilidade dos jogadores. Foi quando disse que o Emmett Smith parecia um carro que engatava uma 5ª marcha direto. Foi quando percebí e entendí (e é uma coisa que já repetí tantas vezes através dos anos que parece até um mantra) que o futebol americano é o mais democrático dos esportes pela variedade de biotipos que compõe um time.

Numa época pré-internet, apenas uma carta de telespectador foi recebida (ou ao menos para nós revelada pela chefia), e era uma carta indignada com a nossa transmissão. Dizia que nós parecíamos dois turistas vendo o jogo e transmitindo. Revendo o tape alguns anos depois, admito que o telespectador tinha toda a razão.

Mas eu havia me apaixonado pelo esporte e estava determinado aprender o máximo. E o melhor é que é uma aprendizado ilimitado e divertido. Já aprendí muito e sempre aprendo mais detalhes.

- Por que o esporte enfrentou e ainda enfrenta problemas de aceitação junto ao público brasileiro?


Esta é uma pergunta que para mim é difícil responder já que só posso me basear no público que se comunica comigo através da internet, que evidentemente é um público que gosta de futebol americano e em minhas próprias conjeturas. É claro que os jogos da NFL transmitidos ao vivo pela ESPN passam muito tarde devido a diferença do fuso horário, e isto é inevitável. Reprises são episódicas e na maioria dos anos sequer aconteceram. A Band Sports tem direitos para jogos vespertinos nos Estados Unidos e de exibição em horário mais conveniente no Brasil. Os jogos universitários, tantos de alta qualidade, nunca tiveram uma programação regular.É provável que outros canais entrem mais cedo ou mais tarde no mercado e isto beneficiará o esporte. Mas eu creio que a aceitação que mais falta ao futebol americano é a da própria mídia, e não do público. E muito desta falta de aceitação é pela resistencia à diversidade de esportes que advém do próprio conhecimento limitado de muitos responsáveis pelas diretrizes dos canais, focados ao quase exclusivamente no futebol. Quando você só sabe cantar um samba de uma nota só, é difícil estar aberto para outros rítmos e para o futebol americano, o hóquei, e outros esportes que exigem pesquisa e trabalho. Mas o público aceita e gosta se a transmissão for rica, e se a veiculação for boa.

- Quais são as maiores dificuldades para que o futebol americano tenha ainda mais público no Brasil?

Os tempos mudaram desde que Charles Miller trouxe o futebol da Inglaterra para o Brasil, mas o que mais populariza um esporte ainda é a sua prática. Um bom exemplo disto são os esportes radicais. Quando a ESPN lançou os X-Games em 1995 (ainda com o nome Extreme Games) eu os narrava com um rodízio de colegas que fugiam deles como uma total perda de tempo. Eu já era o “maluco que gosta de narrar NHL mesmo na madrugada” e ví no X-Games uma nova possibilidade de diversidade.Só quando Luciana Quaresma entrou para o time que as nossas transmissões encontraram equilíbrio. No entanto, imediatamente muitos dos esportes atraíram atletas brasileiros, que logo brilharam como Ferrugem, Bob Burnquist, a Fabíola e outros.

O futebol americano vem sendo praticado por mais e mais pessoas em todo o Brasil. Desde o pioneirismo do Carioca Bowl, e da Liga Flag de São Paulo, o esporte cresceu do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Ele se fortalece e tem ligas em vários estados. Quando se pensaria num Sul Bowl? E num Pantanal Bowl?

Uma das grandes dificuldades é a insistência do governo em taxar a importação de capacetes e do resto do equipamento necessário para o desenvolvimento do jogo, mesmo quando esta importação não é para fins comerciais. Acredito que se mais bolas ovais fossem disponíveis nas lojas veríamos mais pessoas brincando com elas.

E com mais jogos nacionais, o futebol americano não só se popularizará mais via televisão, mas estará no cardápio dos esportes que o brasileiro gosta de assistir e torcer. Espero ter ainda a oportunidade de contribuir mais para isto.

- Qual o papel da imprensa no crescimento do esporte no Brasil?

Abrir mais espaço. E de melhor qualidade. Na semana do Super Bowl, já há anos existe algum espaço. Eu mesmo tive o prazer de contribuir várias vezes com artigos grandes para O Globo e, este ano, para o Lancenet. Mas já há uma nova geração de jornalistas que cresceu assistindo futebol americano. Há quem possa escrever e transmitir. Infelizmente, a maior parte do que se pública destaca ainda o exotismo e muitas vezes a violência, ou qualquer eventual escândalo de comportamento de jogadores americanos. O mais importante no futebol americano é a sua formidável variedade estratégica, e isto deve ser mais destacado. Igualmente, os jogos dos atuais campeonatos brasileiros merecem uma cobertura mais paulatina, ao menos com resultados nas resenhas esportivas.

- Você morou e trabalhou por muitos anos nos Estados Unidos. Quais as principais diferenças de linguagem/conteúdo que você vê entre as transmissões norte-americanas e aquelas que você fez para o público brasileiro?

As transmissões americanas tomam como ponto de partida que o telespectador conhece o jogo. Como os narradores e comentaristas tem sempre a oportunidade de privar com os jogadores e técnicos, e como eles transmitem dos estádios e tem recursos de produção e pesquisa que facilitam o trabalho (estatísticas fornecidas instantanêamente, etc.) eles “conversam” o jogo e o seu contexto entre eles enquanto informam o telespectador.

As que eu fiz para o público brasileiro se dividem em fases. A primeira, bastante linear e explicativa, enquanto em todas as fases eu procurava passar as emoções das melhores jogadas para um público emotivo como o nosso. Eu mesmo estava ainda aprendendo como fazer. Como já morava nos Estados Unidos, eu nunca tinha visto uma transmissão em português de futebol americano. O que o Luciano do Valle e Silvio Lancelotti fizeram antes eu não sabia como foi ou deixou de ser. O que o Ivan fazia ao meu lado era engraçado e popularesco, mas não era meu humor nem conceito.

Uma segunda fase começou a partir de 1996 quando comecei a acessar a internet e ter contato com o público. Entendí melhor o que agradava e o que podia ser enriquecido. E foi quando comecei a perceber que havia de fato uma audiência. Quando o meu parceiro passou a ser o Roberto Figueroa, que se focava mais no comentário de cada jogada, eu pude por mais em prática a maneira de narrar que meus instintos e o feedback que recebia ditavam.

E a terceira e última fase foi quando o Marco Alfaro se tornou meu parceiro. Ele gostava de pesquisar histórias paralelas sobre os times e os jogadores, e foi sempre um grande apoio nas minhas iniciativas para promover o que já estava acontecendo com a bola oval no Brasil. Creio que foi então também que passei a me referir ao futebol americano várias vezes como o “esporte da bola oval”, porque eu acho que o esporte em si extrapola a sua origem.


- O brasileiro já estaria pronto para absorver uma transmissão de futebol americano essencialmente técnica, sem as explicações básicas da regra do jogo?

Não. Não o grande público. Mas eu acho que estas explicações podem ser resumidas no objetivo do jogo, em poucas frases adicionadas durante a transmissão. Afinal, é o objetivo do ataque é chegar ao lado oposto do campo e isto é sempre feito correndo com a bola ou arremessando à distancia. O objetivo da defesa é impedir isto. Nosso público não é burro. Os detalhes e firulas podem ser aprendidas com o tempo, e gastar muito tempo com elas sempre é, na minha opinião, uma maneira de se repetir à cada jogo. E sendo realista, nenhuma transmissão brasileira pode ser essencialmente técnica, na medida que não me consta que nenhum de nós que jamais narramos ou comentamos para o telespectador brasileiro tenhamos a vivência do jogo, seja como jogadores profissionais ou técnicos.

- Qual a sua opinião sobre ferramentas como jogos eletrônicos para ajudar na difusão do esporte entre os jovens brasileiros?

Madden é uma ótima ferramenta. Quem joga se diverte.

- Você foi o criador da maior lista de discussão sobre futebol americano do Brasil, a Redzone. Conte como surgiu a idéia e qual a sua opinião sobre a multiplicação desses fóruns e de blogs/sites em língua portuguesa abordando o assunto.

Eu comecei a fazer uma home page para mim por hobby na Geocities. Era bem rudimentar. Era a Touchdown’s Home Page. Mas ela não era voltada para o futebol americano. TouchDown era meu nick no canal de IRC #Brasil-USA onde eu batia papo pra relaxar após um longo (ou curto) dia de trabalho. Nesta página eu colocava também os horários de jogos que ia narrar. Gostaria de ir além mas não tinha tempo. Uma vez recebí um email pedindo para ir ver uma página de futebol americano em português. Achei muito bem feita, Eu tinha estabelecido um domínio meu, www.touchdown.net, e tinha mais espaço do que poderia utilizar. Acabei convidando o autor daquela página, (que era um policial) Flávio Daemon, para transferir tudo para o meu domínio na boa. A página se chamava Redzone.

Uma tarde eu estava internetando e dei de cara com a Onelist (que depois foi absorvida pela Yahoo) que oferecia listas de discussões grátis. Fiz uma para o meu canal de bate papo #Brasil-USA e fiz uma que chamei de Redzone e coloquei link na página do Flávio. Isto foi logo antes do início da temporada de 1998 da NFL Convidamos uns fanáticos pela bola oval e em questão de semanas os participantes iniciais da Redzone já batiam em cinquenta fãs, que trocavam mensagens diárias. Eu divulgava a lista nos jogos e os fãns descobriam que não estavam sózinhos no amor pelo futebol americano.

A lista teve um momento difícil e uma cisão. Muitos achavam que ela deveria ser uma lista para entendedores da NFL. O meu ponto de vista era, e ainda é, o que está definido no convite: “Se você gosta de assistir a jogos da NFL ou pratica alguma modalidade de futebol americano (flag, beach etc...), junte-se à nós! O objetivo da lista é promover amizades e um bate-papo legal sobre esse esporte cada vez mais popular no Brasil. Um espaço onde os iniciantes são muito bem-vindos! O nosso assunto é a bola oval.” Mesmo tendo perdido alguns amigos nunca me arrependí de fazer pé firme na minha decisão. Muita coisa boa já aconteceu pela Redzone ser como é, e há uma equipe de moderadores que cuida carinhosamente do seu bom andamento. Ela continua sendo a maior lista brasileira com mais de 2200 membros.

Quanto à multiplicação das listas, fóruns e de blogs/sites em língua portuguesa abordando a bola oval, eu me sinto muito feliz e apoio sempre que tenho a oportunidade.

- Você acompanhou de perto o surgimento e o crescimento de iniciativas para a prática do futebol americano no Brasil. Conte-nos um pouco a respeito disso.

Mesmo sendo brasileiro naturalizado, em todos os anos em que trabalhei na ESPN International, creio ter sido a pessoa do meu grupo de colegas que mais levantou a bandeira do Brasil em todas as reuniões e oportunidades. Desde o primeiro dia até quando apaguei as luzes da cabine após o Pro-Bowl de 2006, nossa última transmissão de Bristol.

Quando tivemos um produtor de mentalidade aberta, aproveitei para organizar um encontro com o pessoal da Redzone de Sampa, num restaurante e mandamos gravar a turma assistindo um Monday Night Football no telão. Num momento que haviamos combinado, dei um alô no ar para a galera que reagiu. Isto e mais umas entrevistas entraram no ar durante o que acabou sendo o último jogo de Dan Marino, a derrota do Miami Dolphins por 62-7 para o Jacksonville Jaguars em janeiro de 2000.

Depois do Super Bowl fui para o Rio de férias. Foi a primeira vez que ví brasileiro com bola oval na mão ao vivo. Carioca Bowl. Praia de Copacabana. Apesar de uma chuva horrenda eu curtí muito. Foi muito emocionante para mim.

Em 2001, eu estava com o Roberto Figueroa em Tampa na semana do Super Bowl XXXV, e teve um evento para a mídia internacional. Após a introdução pelo Comissário Paul Tagliabue, a reunião foi conduzida pelo Vice Presidente Senior Doug Quinn. Vários jornalistas puxavam brasas pra suas sardinhas. Eu sussurei pro Roberto que eu ia me levantar e falar do Brasil. Ele deu força.

Me levantei, me identifiquei, e perguntei se a NFL sabia que no Brasil já se jogava futebol americano nas praias de Copacabana e que o flag estava cada vez mais popular em São Paulo, que haviam listas de discussão na internet, uma associação de fans e tudo isto espontâneo e sem nenhum apoio outro que as nossas citações nas transmissões. Doug Quinn recebeu muito bem a pergunta e me pediu para falar com o Jim depois da reunião, pedindo para ele levantar a mão e se identificar para mim.

O “Jim” em questão era o VP para a América Latina, James Echikson. Ele já havia visitado o Brasil com uma delegação e se encontrou com alguns jornalistas, foi ignorado por alguns canais de tb, e todos desencorajaram qualquer iniciativa. Impressionado com o Maracanã, chegou a pensar que espetáculo seria um jogo de NFL lá. De qualquer modo pediu para eu entrar em contato com ele quando estivessemos de volta a Nova York. Consegui com ele que a NFL oferecesse o troféu do seguinte Carioca Bowl, uma grande quantidade de equipamento de flag (que doeei para a Prefeitura de São Paulo, para um programa escolar), e várias bolas ovais que distribuí no Rio e em São Paulo, na minha seguinte viagem de férias.

Além disto, ofereci produzir, pro-bono, uma matéria no Rio e em São Paulo, sobre o futebol americano no Brasil destacando um Festival Esportivo no Mackenzie Tamboré e a entrega do Troféu NFL na final do Carioca Bowl. Esta matéria foi veiculada no programa “NFL Blast” e exibida em mais de 180 países.

Sempre noticiei resultados de jogos disputados no Brasil nas minhas transmissões, assim como a formação de novos times. Sempre me sentí na prazeirosa obrigação de espelhar para o público brasileiro o que estava acontecendo com a bola oval no país.

Minha última oportunidade de apoio pela televisão foi quando, em 2006, pedí ao Chris Berman para colocar tomadas da final do Carioca Bowl no “plays of the week” do seu Sportcenter de domingo, e ele o fez.

De tudo isto, meu maior prazer é ver que espontanêamente a bola oval não pára de crescer no Brasil. Assim como outros esportes menos tradicionais para o brasileiro. Eu acredito em diversidade em tudo.

- Você acredita que o esporte ainda será praticado "em larga escala" no Brasil? Por quê?

Eu acredito que teremos campeonatos estaduais, e até um campeonato nacional. O Brasil já participou ao menos do seu primeiro jogo internacional no Uruguai. “Larga escala” é um conceito de quantificação difícil. Larga escala no Brasil é só o futebol que o brasileiro joga maravilhosamente e só precisa de uma bola. Mas acho que a bola oval pode ter pelo menos um belo futuro como esporte amador. Vai depender mais da colaboração de quem está em posição de facilitar o seu crescimento mais do que da vontade de jogar dos seus praticantes. Esta já é grande.