Friday, January 16, 2009

Comemorando a NFL - Part IV

SUPER BOWL XL- 5/2/2006
Ford Field - Detroit, Michigan
Seattle Seahawks 10
Pittsburgh Steelers 21











Wednesday, January 14, 2009

Comemorando a NFL - Part III

SUPER BOWL XXXIX- 6/2/2005
Alltel Stadium - Jacksonville, Florida
New England Patriots 24
Philadelphia Eagles 21








Tuesday, January 13, 2009

Comemorando a NFL - Part II


SUPER BOWL XXXV 28/1/2001
Raymond James Stadium
Tampa, Florida
Baltimore Ravens 34
New York Giants 7









Monday, January 12, 2009

Comemorando a NFL - Part I

Baltimore Ravens e Pittsburgh Steelers na AFC e Arizona Cardinals e Philadelphia Eagles na NFC, vão disputar no próximo fim de semana os campeonatos de conferencia para decidir que times disputarão o Super Bowl XLIII em Tampa.

Acho que ninguém teve o privilégio que eu tive de transmitir o Super Bowl para o Brasil 8 vezes. Cinco vezes estive presente no evento. Compartilho esta semana algumas fotos que tiramos (alguns tiraram de mim e eu tirei de outros). Quem tiver perguntas, pode fazê-las no espaço para comentários abaixo desta postagem. Comentários também, claro!


SUPER BOWL XXVII - 31/1/1993
Rose Bowl - Pasadena, California
Dallas Cowboys 52 Buffalo Bills 17




SUPER BOWL XXXIV 30/1/2000
Georgia Dome - Atlanta, Georgia
St. Louis Rams 23
Tennessee Titans 16










Breve: Super Bowl XXXV

Tuesday, January 6, 2009

Primórdios da Bola Oval no Brasil

Um email da Lista Redzone de 15 de Janeiro de 2000, e a matéria veiculada nos Playoffs de Divisão da AFC, no último jogo de Dan Marino (Jacksonville Jaguars 62, Miami Dolphins 7).

Re: Matéria ESPN

From: "Alexsandro Sabino" alexsabino@********.com.br

Sensacional a matéria com os integrantes da ABTFA. Achei que a edição ficou excelente. Parabéns a todos os membros da Associação que fizeram esse sonho se tornar realidade e ainda mais André José Adler, que tornou muitas coisas possíveis, inclusive a veiculação dessa reportagem a nível mundial.

Alexsandro

obs.: só não 'colou' aquela conversa do Luis dizer que o boné era do ravens,
mas ele torcia pro Luis Giants :-)))



Sunday, December 28, 2008

Presente para Ano Novo!

Eu estava planejando colocar aqui no blog um tipo "Year in Review" com fotos. Afinal a aventura de 2008 não foi pequena. O plano acabou quando ganhei o presente abaixo da minha amiga Susy Dienstbach. Apareceu como um scrap no meu orkut. Mas é mais que uma revisão do ano em fotos, é uma revisão de vida em fotos. Mais uma homenagem que ganho em vida, que poucos vivem pra ver! hehe! Quero compartilhar aqui com vocês!

Está no Slide.Com

Friday, December 26, 2008

IN MEMORIAN - Yellow FS 29, Jaraguá Breakers

25/12/2008 22:46:59
Diego Bayer
meu amigo Adler
Diego Bayer
uma triste notícia para dar neste Natal
TouchDown
oq?
Diego Bayer
um jogador do nosso time, Yellow, faleceu hoje a tarde de acidente de moto
TouchDown
:(
TouchDown
q triste
TouchDown
eu o conheci?
TouchDown
fala
Diego Bayer
conheceu sim
Diego Bayer
ele jogou a final
Diego Bayer
nº 29

Não posso explicar a triste sensação. Yellow tinha 19 anos. Escreví no orkut dele:

"André José Adler:
Que sei eu sobre a duração de uma vida? Quando ela é curta sempre é um choque. Quando a minha se acabar espero narrar um touchdown de retorno do Yellow no campo onde ele estiver. Meus sentimentos para a família e os amigos."


Sinto que quando há uma perda assim, o luto é para todos nós, que vivemos de alguma forma a bola oval no Brasil. Esta é a minha homenagem.

ORKUT do YELLOW: http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=6955401504002477418

Thursday, December 18, 2008

Bola Oval há 3 anos...


Dei de cara com um script que escreví em 14 de dezembro de 2005 para o quadro "Bola Oval" que gravava para o Bate Bola da ESPN Brasil. Interessante comparar com o momento. Com as coisas que aconteceram e as coisas que não aconteceram. O que esperávamos e o que de fato rolou...


imagens: cortesia Susy Dienstbach

Thursday, December 11, 2008

UM JOGADOR BRASILEIRO NO GREEN BAY PACKERS!

[Esta matéria pode e deve ser difundida livremente em todo ou em parte por colegas da mídia profissional, blogueiros, fans de esporte, amigos e familiares. Agradece-se a citação da origem.]


No ano passado eu estava comentando, aqui na Hungria, um jogo de Louisville contra Connecticut creio, e dei de cara com o nome Breno Giacomini no elenco de jogadores. Até disse no ar que o nome Breno é um nome bem brasileiro, como se isto fosse fundamental para a cultura do telespectador húngaro. Meu parceiro de transmissão Zoltan Hetthessy ajudou com algum comentário benéfico e depois da partida eu esquecí e já estavamos conversando sobre o próximo jogo da NCAA que faríamos.

No mês passado, pouco depois de voltar da minha viagem, recebí um email do meu amigo e incentivador Alvaro Martin, (que muitos brasileiros conhecem atrávés de muitos anos de NFL Semanal, e de jogos com geração da ESPNdeportes) me dando o toque de que tinha um jogador brasileiro no Green Bay Packers: Breno Giacomini!





Acho que todos os brasileiros que acompanham futebol americano já há alguns anos lembram-se do Damian Vaughn, filho de pai americano e mãe brasileira. E muitos se lembram da alegria que ele causou quando visitou o Brasil com o Tony Gonzales do Kansas City Chiefs. Muitos conheceram este tight end que até representou o Barcelona Dragons no All Star Team da NFL Europe em 2000, e foi contratado pelo Tampa Bay Buccaneers onde já teria jogado a temporada de 2002 se não fosse por uma contusão da qual não mais se recuperou. E todos os brasileiros estavam torcendo por ele.

Graças à gentileza da NFL, entendendo a alegria que um jogador de origem brasileira pode nos causar, e a cortesia do Green Bay Packers, hoje recebí um telefonema do Breno e batemos um papo.

Durante 27 anos nos Estados Unidos conhecí muitos mineiros, principalmente de Governador Valadares, que para lá imigraram buscando uma vida melhor. Trabalhadores incansáveis, muitos fizeram um pé de meia e voltaram para o Brasil, muitos lá ficaram e constituíram familias e seus filhos lá nascidos integraram se na vida americana, mas sempre mantendo suas raízes brasileiras. É o caso do Breno.

Falei do nosso encontro telefônico marcado com algumas pessoas em papo no msn, e pedí até que colaborassem com algumas perguntas. Dennis Prants, do campeão do SC Bowl quis saber qual a sensação de entrar no Lambeau Field, sabendo toda a sua história. Breno disse: “É tudo! E você sabe que tem que entrar para jogar mesmo.” E quanto à história, a organização do Packers cuida que ninguém esqueça onde está. Há sinais por todos os lados.

O Fabiano Alves, um dos moderadores da Lista Redzone, queria saber qual era o maior desafio em estar no time que iniciou as dinastias na NFL, e Breno muito imediatamente respondeu que o desafio é tentar ser sempre melhor. Jogar sempre melhor.

Giacomini é um bloqueador, um offensive tackle no Packers. Este é o seu primeiro ano na NFL e por enquanto participou dos 4 jogos de pré temporada de Green Bay e da vitória de 48 a 25 sobre o Detroit Lions na Semana 2 , quando jogou também em special teams.




Mas no Cardinals da Universidade de Louisville, a mesma que revelou talentos para a NFL como Johnny Unitas, Deion Branch, Sam Madison, e David Akers, Breno Giacomini além de jogar como bloqueador jogou também como tight end e marcou um touchdown em 2005 na vitória de Louisville sobre Rutgers. Ele lembra este TD até hoje como um grande momento: “o time estava na linha de uma jarda, fiz um roll out pra direita e recebí o passe do Brian!”

O Brian em questão é o quarterback Brian Brohm, que foi recrutado também este ano pelo Green Bay Packers, na segunda escolha da segunda rodada do Draft 2008, para ser reserva do Aaron Rodgers. Perguntei ao Breno que tal treinar com o Brian agora no Packers. “É ótimo! Nós moramos juntos. É tipo como um irmão.” O bloqueador Jason Spitz, também recrutado pelo Packers, foi outro colega de time em Louisville. Breno, que não chegou à se encontrar com Brett Favre, fala muito bem do QB Aaron Rodgers com quem ja tem uma boa relação e garante que Rodgers vai levar Green Bay longe.

Breno, recrutado em 15º lugar na 5ª rodada do Draft, disse q a espera foi tensa mas a alegria maior. Com grande festa de família e amigos. Seus pais mineiros entendem bem o futebol americano já que ele começou a jogar ainda na Malden High School, em Massachussets, e apoiam a sua carreira, A mãe dele ficou particularmente feliz, já que ele garantiu seu diploma de Administração Desportiva na universidade. Breno quer continuar em esporte para sempre, como técnico, ou o q seja.

Ricardo Trigo, do Corinthians Steamrollers, quis saber se Giacomini, sendo filho de brasileiros, jogou muito futebol com os pés. E de fato Breno jogou com a bola redonda até trocá-la pela oval na escola. Ele era goleiro. Comentei com ele que vários técnicos da NFL que entrevistei através dos anos disseram que o maior diferencial no futebol americano era a necessidade de um total espírito de equipe. “Usamos capacetes”, me disse uma vez o técnico Bill Cowher na semana que o seu Pittsburgh Steelers venceu o Super Bowl XL. Breno concorda e assinala que num time de futebol dois jogadores destaques muitas vezes já garantem uma vitória.

A nossa conversa foi em português que ele fala bastante bem e em inglês no qual é naturalmente mais fluente. Ele não estava muito à par do andamento da bola oval no Brasil. Agora já está mais...

Quis pegar também uma pergunta com o Everaldo Marques, da ESPN, que mandou bem: “Hoje no Brasil a NFL é muito popular entre os garotos na faixa de 10-15 anos, e muitos sonham – why not? – em chegar à NFL um dia, Existe algua dica que você possa dar para este pessoal?” A dica do Breno é... trabalhar. Todos os dias. Ser determinado. Muitos podem tentar desencorajar, como até com ele aconteceu. Determinação. “Sem trabalhar não vão chegar”, ele completa.

Breno já esteve no Brasil umas 10 vezes visitando a família. A mãe dele gosta muito dele estar jogando no Packers, onde até as cores são as da bandeira brasileira. Perguntei (e já pedindo) se numa próxima visita ele poderia contribuir com o conhecimento e a experiencia dele conversando com a galera que joga, dando uma clínica ou coisas assim. A resposta dele foi um entusiástico... “sim, com prazer”! Tudo pode acontecer.

Go Breno! A bola é sua!

Video com Breno no Vestiário do Green Bay Packers

Monday, June 9, 2008

Meu pitaco no Futebol Americano -Depoimento ao Everaldo.

O Everaldo Marques da ESPN está escrevendo uma monografia sobre futebol americano e me fez umas perguntas tão boas que me inspiraram respostas que contam tudo (ou quase...) Aqui está o papo.


- Para você, pessoalmente, como "estrangeiro" (não-norte-americano), quais foram as principais dificuldades de aprendizado/entendimento do jogo no início do seu contato com o futebol americano?

Uma das dificuldades foi certamente ter crescido num ambiente onde o esporte não era práticado, transmitido, sequer noticiado. Como todos no Brasil, as minha memórias de infância são de futebol. E algumas nem muito boas, pois quase fui espancado no colégio por ter nascido na Hungria, quando a Hungria eliminou o Brasil na Copa de 54. Por outro lado, poucos anos depois o treinador Gyula Mandi foi para o Rio ser técnico do América, e amigo do meu pai que era, jantava lá em casa umas três vezes por semana. Aprendí um pouco de judo em academia quando menino, e esta era a variedade do meu universo esportivo. Mas quando fui escoteiro, um chefe havia ido aos Estados Unidos, e introduziu o flag football na tropa. Eu achava muito divertido, mas como a gente usava os póprios lenços dos uniformes, eu pensava que aquilo era apenas uma brincadeira de escoteiros. Nem sabia que tinha a ver com futebol americano.

A primeira vez que prestei atenção na garra e importância do futebol americano foi em 1978, quando – irônicamente- me aventurei à morar um tempinho em Paris, e fui assistir o filme “O Céu Pode Esperar” com Warren Beatty.

Em 1979 eu fui morar em Nova York, e no meu processo de integração aos Estados Unidos o “football” teve um papel muito pequeno. Mas rodeava o meu cotidiano, assim como os outros esportes americanos. Foram poucos jantares de Thanksgiving que fui, através dos anos, sem a TV estar ligada num jogo da NFL. E nomes como Pete Rozelle, Terry Bradshaw, Joe Montana, Don Shula, Lynn Swann logo fizeram parte da minha absorção cotidiana de noticiários assim como Jimmy Carter, George Steinbrenner, Ronald Reagan, Robert De Niro, Wayne Gretzky ou Meryl Streep.

Quando comecei a transmitir futebol americano em 1992, a única coisa portanto que eu tinha a meu favor, era estar aclimatado e menos „estrangeiro” quanto ao contexto de sua popularidade na cultura americana.

- Como surgiu a oportunidade de transmitir o futebol americano e quais foram as suas preocupações iniciais em termos de linguagem? Existia preocupação em ser didático?

Honestamente eu nunca pensei que teria qualquer envolvimento profissional com esportes. A minha experiencia no Brasil, dos 12 aos 34 anos (quando cheguei nos Estados Unidos) englobou televisão, cinema, teatro, propaganda, Como ator, autor, diretor, produtor, roteirista, assistente de direção, iluminador, e sei lá o que mais. Este sempre foi meu universo.

Em Nova York fiz cursos de teatro, dirigí off-off Broadway, fui ator, dublador, guia de turismo. Trabalhei no marketing da New York Chamber of Commerce, fui tradutor, legendei em inglês programas da Rede Globo, fui professor de técnicas de desinibição para executivos, e gravei muitas locuções para o Brasil. Desde ser a voz do presidente da IBM e dos elevadores Otis para o Brasil até gravar o video de vendas da MTV para afiliadas brasileiras, e o da ESPN. Isto tudo através de agencias.

Uma delas me ligou uma vez para que eu fizesse um teste para a ESPN. Pensei que era apenas mais um video e pedí que mandassem o meu demo. Pouco depois me ligou uma brasileira, casada com um colega da Globo, que havia sido contratada para recrutar vozes em português para os programas da ESPN e me convidou para fazer um teste em Connecticut. Delicadamente eu disse que não queria perder o tempo dela ou o meu, que eu era torcedor fanático do Brasil em época de Copa. Mas o meu acompanhamento de esportes era limitado mais ou menos a isto.

Mesmo assim, eu liguei o “por que não?” e fui a Bristol, onde gravei um programa de highlights de futebol alemão, e como não tremí no microfone poucas semanas depois me ofereceram o emprego que era apenas de sábados e domingos.

Era uma equipe pequena, e a gente fazia até 3 programas por dia. A gente assistia aos videos, fazia anotações e ia para a cabine. Usando o que eu sei, e bem na filosofia da ESPN, eu me concentrava em fazer os programas divertidos enquanto em casa estudava uma batelada de livros sobre regras de diversos esportes. Enfim, começamos a transmitir esportes ao vivo, e à mim coube o golfe. Um esporte muito fácil de entender e mais fácil ainda de narrar, desde que se esteja bem dormido.

O Ivan Zimmermann começou a fazer o futebol americano, junto com um rapaz americano que explicava bem o jogo, mas seu sotaque tornou-se inaceitável. Arrumaram um outro brasileiro (a ESPN era um entra-sai total) que durou pouco. O chefe do serviço, Esteban Gonzales, me chamou e disse que eu teria que aprender e fazer futebol americano e mais, que iríamos transmitir o Super Bowl XXVII ao vivo do Rose Bowl, em Pasadena. Eu reagí contra, pois nem sequer havia pensado nisto. Ele manteve a sua decisão e disse que eu iria acabar gostando. Pois é. Ele tinha razão.

Então sim, vieram as dificuldades de aprendizado. O paraguaio Benny Ricardo, que havia sido kicker do Vilkings, era o comentarista em espanhol, nos deu algumas aulas básicas. O narrador Alvaro Martin, grande conhecedor de futebol americano, me ensinou muito e foi a pessoa que muito me incentivou. Durante o que restava da temporada, eu me limitei ao mais básico. Eu narrava e, a contragosto, o Ivan comentava. Quando finalmente fomos fazer o Super Bowl, o Ivan insistiu em narrar e pouco sobrou para mim comentar. Pessoalmente, eu me fascinei com o espetáculo e com a habilidade dos jogadores. Foi quando disse que o Emmett Smith parecia um carro que engatava uma 5ª marcha direto. Foi quando percebí e entendí (e é uma coisa que já repetí tantas vezes através dos anos que parece até um mantra) que o futebol americano é o mais democrático dos esportes pela variedade de biotipos que compõe um time.

Numa época pré-internet, apenas uma carta de telespectador foi recebida (ou ao menos para nós revelada pela chefia), e era uma carta indignada com a nossa transmissão. Dizia que nós parecíamos dois turistas vendo o jogo e transmitindo. Revendo o tape alguns anos depois, admito que o telespectador tinha toda a razão.

Mas eu havia me apaixonado pelo esporte e estava determinado aprender o máximo. E o melhor é que é uma aprendizado ilimitado e divertido. Já aprendí muito e sempre aprendo mais detalhes.

- Por que o esporte enfrentou e ainda enfrenta problemas de aceitação junto ao público brasileiro?


Esta é uma pergunta que para mim é difícil responder já que só posso me basear no público que se comunica comigo através da internet, que evidentemente é um público que gosta de futebol americano e em minhas próprias conjeturas. É claro que os jogos da NFL transmitidos ao vivo pela ESPN passam muito tarde devido a diferença do fuso horário, e isto é inevitável. Reprises são episódicas e na maioria dos anos sequer aconteceram. A Band Sports tem direitos para jogos vespertinos nos Estados Unidos e de exibição em horário mais conveniente no Brasil. Os jogos universitários, tantos de alta qualidade, nunca tiveram uma programação regular.É provável que outros canais entrem mais cedo ou mais tarde no mercado e isto beneficiará o esporte. Mas eu creio que a aceitação que mais falta ao futebol americano é a da própria mídia, e não do público. E muito desta falta de aceitação é pela resistencia à diversidade de esportes que advém do próprio conhecimento limitado de muitos responsáveis pelas diretrizes dos canais, focados ao quase exclusivamente no futebol. Quando você só sabe cantar um samba de uma nota só, é difícil estar aberto para outros rítmos e para o futebol americano, o hóquei, e outros esportes que exigem pesquisa e trabalho. Mas o público aceita e gosta se a transmissão for rica, e se a veiculação for boa.

- Quais são as maiores dificuldades para que o futebol americano tenha ainda mais público no Brasil?

Os tempos mudaram desde que Charles Miller trouxe o futebol da Inglaterra para o Brasil, mas o que mais populariza um esporte ainda é a sua prática. Um bom exemplo disto são os esportes radicais. Quando a ESPN lançou os X-Games em 1995 (ainda com o nome Extreme Games) eu os narrava com um rodízio de colegas que fugiam deles como uma total perda de tempo. Eu já era o “maluco que gosta de narrar NHL mesmo na madrugada” e ví no X-Games uma nova possibilidade de diversidade.Só quando Luciana Quaresma entrou para o time que as nossas transmissões encontraram equilíbrio. No entanto, imediatamente muitos dos esportes atraíram atletas brasileiros, que logo brilharam como Ferrugem, Bob Burnquist, a Fabíola e outros.

O futebol americano vem sendo praticado por mais e mais pessoas em todo o Brasil. Desde o pioneirismo do Carioca Bowl, e da Liga Flag de São Paulo, o esporte cresceu do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Ele se fortalece e tem ligas em vários estados. Quando se pensaria num Sul Bowl? E num Pantanal Bowl?

Uma das grandes dificuldades é a insistência do governo em taxar a importação de capacetes e do resto do equipamento necessário para o desenvolvimento do jogo, mesmo quando esta importação não é para fins comerciais. Acredito que se mais bolas ovais fossem disponíveis nas lojas veríamos mais pessoas brincando com elas.

E com mais jogos nacionais, o futebol americano não só se popularizará mais via televisão, mas estará no cardápio dos esportes que o brasileiro gosta de assistir e torcer. Espero ter ainda a oportunidade de contribuir mais para isto.

- Qual o papel da imprensa no crescimento do esporte no Brasil?

Abrir mais espaço. E de melhor qualidade. Na semana do Super Bowl, já há anos existe algum espaço. Eu mesmo tive o prazer de contribuir várias vezes com artigos grandes para O Globo e, este ano, para o Lancenet. Mas já há uma nova geração de jornalistas que cresceu assistindo futebol americano. Há quem possa escrever e transmitir. Infelizmente, a maior parte do que se pública destaca ainda o exotismo e muitas vezes a violência, ou qualquer eventual escândalo de comportamento de jogadores americanos. O mais importante no futebol americano é a sua formidável variedade estratégica, e isto deve ser mais destacado. Igualmente, os jogos dos atuais campeonatos brasileiros merecem uma cobertura mais paulatina, ao menos com resultados nas resenhas esportivas.

- Você morou e trabalhou por muitos anos nos Estados Unidos. Quais as principais diferenças de linguagem/conteúdo que você vê entre as transmissões norte-americanas e aquelas que você fez para o público brasileiro?

As transmissões americanas tomam como ponto de partida que o telespectador conhece o jogo. Como os narradores e comentaristas tem sempre a oportunidade de privar com os jogadores e técnicos, e como eles transmitem dos estádios e tem recursos de produção e pesquisa que facilitam o trabalho (estatísticas fornecidas instantanêamente, etc.) eles “conversam” o jogo e o seu contexto entre eles enquanto informam o telespectador.

As que eu fiz para o público brasileiro se dividem em fases. A primeira, bastante linear e explicativa, enquanto em todas as fases eu procurava passar as emoções das melhores jogadas para um público emotivo como o nosso. Eu mesmo estava ainda aprendendo como fazer. Como já morava nos Estados Unidos, eu nunca tinha visto uma transmissão em português de futebol americano. O que o Luciano do Valle e Silvio Lancelotti fizeram antes eu não sabia como foi ou deixou de ser. O que o Ivan fazia ao meu lado era engraçado e popularesco, mas não era meu humor nem conceito.

Uma segunda fase começou a partir de 1996 quando comecei a acessar a internet e ter contato com o público. Entendí melhor o que agradava e o que podia ser enriquecido. E foi quando comecei a perceber que havia de fato uma audiência. Quando o meu parceiro passou a ser o Roberto Figueroa, que se focava mais no comentário de cada jogada, eu pude por mais em prática a maneira de narrar que meus instintos e o feedback que recebia ditavam.

E a terceira e última fase foi quando o Marco Alfaro se tornou meu parceiro. Ele gostava de pesquisar histórias paralelas sobre os times e os jogadores, e foi sempre um grande apoio nas minhas iniciativas para promover o que já estava acontecendo com a bola oval no Brasil. Creio que foi então também que passei a me referir ao futebol americano várias vezes como o “esporte da bola oval”, porque eu acho que o esporte em si extrapola a sua origem.


- O brasileiro já estaria pronto para absorver uma transmissão de futebol americano essencialmente técnica, sem as explicações básicas da regra do jogo?

Não. Não o grande público. Mas eu acho que estas explicações podem ser resumidas no objetivo do jogo, em poucas frases adicionadas durante a transmissão. Afinal, é o objetivo do ataque é chegar ao lado oposto do campo e isto é sempre feito correndo com a bola ou arremessando à distancia. O objetivo da defesa é impedir isto. Nosso público não é burro. Os detalhes e firulas podem ser aprendidas com o tempo, e gastar muito tempo com elas sempre é, na minha opinião, uma maneira de se repetir à cada jogo. E sendo realista, nenhuma transmissão brasileira pode ser essencialmente técnica, na medida que não me consta que nenhum de nós que jamais narramos ou comentamos para o telespectador brasileiro tenhamos a vivência do jogo, seja como jogadores profissionais ou técnicos.

- Qual a sua opinião sobre ferramentas como jogos eletrônicos para ajudar na difusão do esporte entre os jovens brasileiros?

Madden é uma ótima ferramenta. Quem joga se diverte.

- Você foi o criador da maior lista de discussão sobre futebol americano do Brasil, a Redzone. Conte como surgiu a idéia e qual a sua opinião sobre a multiplicação desses fóruns e de blogs/sites em língua portuguesa abordando o assunto.

Eu comecei a fazer uma home page para mim por hobby na Geocities. Era bem rudimentar. Era a Touchdown’s Home Page. Mas ela não era voltada para o futebol americano. TouchDown era meu nick no canal de IRC #Brasil-USA onde eu batia papo pra relaxar após um longo (ou curto) dia de trabalho. Nesta página eu colocava também os horários de jogos que ia narrar. Gostaria de ir além mas não tinha tempo. Uma vez recebí um email pedindo para ir ver uma página de futebol americano em português. Achei muito bem feita, Eu tinha estabelecido um domínio meu, www.touchdown.net, e tinha mais espaço do que poderia utilizar. Acabei convidando o autor daquela página, (que era um policial) Flávio Daemon, para transferir tudo para o meu domínio na boa. A página se chamava Redzone.

Uma tarde eu estava internetando e dei de cara com a Onelist (que depois foi absorvida pela Yahoo) que oferecia listas de discussões grátis. Fiz uma para o meu canal de bate papo #Brasil-USA e fiz uma que chamei de Redzone e coloquei link na página do Flávio. Isto foi logo antes do início da temporada de 1998 da NFL Convidamos uns fanáticos pela bola oval e em questão de semanas os participantes iniciais da Redzone já batiam em cinquenta fãs, que trocavam mensagens diárias. Eu divulgava a lista nos jogos e os fãns descobriam que não estavam sózinhos no amor pelo futebol americano.

A lista teve um momento difícil e uma cisão. Muitos achavam que ela deveria ser uma lista para entendedores da NFL. O meu ponto de vista era, e ainda é, o que está definido no convite: “Se você gosta de assistir a jogos da NFL ou pratica alguma modalidade de futebol americano (flag, beach etc...), junte-se à nós! O objetivo da lista é promover amizades e um bate-papo legal sobre esse esporte cada vez mais popular no Brasil. Um espaço onde os iniciantes são muito bem-vindos! O nosso assunto é a bola oval.” Mesmo tendo perdido alguns amigos nunca me arrependí de fazer pé firme na minha decisão. Muita coisa boa já aconteceu pela Redzone ser como é, e há uma equipe de moderadores que cuida carinhosamente do seu bom andamento. Ela continua sendo a maior lista brasileira com mais de 2200 membros.

Quanto à multiplicação das listas, fóruns e de blogs/sites em língua portuguesa abordando a bola oval, eu me sinto muito feliz e apoio sempre que tenho a oportunidade.

- Você acompanhou de perto o surgimento e o crescimento de iniciativas para a prática do futebol americano no Brasil. Conte-nos um pouco a respeito disso.

Mesmo sendo brasileiro naturalizado, em todos os anos em que trabalhei na ESPN International, creio ter sido a pessoa do meu grupo de colegas que mais levantou a bandeira do Brasil em todas as reuniões e oportunidades. Desde o primeiro dia até quando apaguei as luzes da cabine após o Pro-Bowl de 2006, nossa última transmissão de Bristol.

Quando tivemos um produtor de mentalidade aberta, aproveitei para organizar um encontro com o pessoal da Redzone de Sampa, num restaurante e mandamos gravar a turma assistindo um Monday Night Football no telão. Num momento que haviamos combinado, dei um alô no ar para a galera que reagiu. Isto e mais umas entrevistas entraram no ar durante o que acabou sendo o último jogo de Dan Marino, a derrota do Miami Dolphins por 62-7 para o Jacksonville Jaguars em janeiro de 2000.

Depois do Super Bowl fui para o Rio de férias. Foi a primeira vez que ví brasileiro com bola oval na mão ao vivo. Carioca Bowl. Praia de Copacabana. Apesar de uma chuva horrenda eu curtí muito. Foi muito emocionante para mim.

Em 2001, eu estava com o Roberto Figueroa em Tampa na semana do Super Bowl XXXV, e teve um evento para a mídia internacional. Após a introdução pelo Comissário Paul Tagliabue, a reunião foi conduzida pelo Vice Presidente Senior Doug Quinn. Vários jornalistas puxavam brasas pra suas sardinhas. Eu sussurei pro Roberto que eu ia me levantar e falar do Brasil. Ele deu força.

Me levantei, me identifiquei, e perguntei se a NFL sabia que no Brasil já se jogava futebol americano nas praias de Copacabana e que o flag estava cada vez mais popular em São Paulo, que haviam listas de discussão na internet, uma associação de fans e tudo isto espontâneo e sem nenhum apoio outro que as nossas citações nas transmissões. Doug Quinn recebeu muito bem a pergunta e me pediu para falar com o Jim depois da reunião, pedindo para ele levantar a mão e se identificar para mim.

O “Jim” em questão era o VP para a América Latina, James Echikson. Ele já havia visitado o Brasil com uma delegação e se encontrou com alguns jornalistas, foi ignorado por alguns canais de tb, e todos desencorajaram qualquer iniciativa. Impressionado com o Maracanã, chegou a pensar que espetáculo seria um jogo de NFL lá. De qualquer modo pediu para eu entrar em contato com ele quando estivessemos de volta a Nova York. Consegui com ele que a NFL oferecesse o troféu do seguinte Carioca Bowl, uma grande quantidade de equipamento de flag (que doeei para a Prefeitura de São Paulo, para um programa escolar), e várias bolas ovais que distribuí no Rio e em São Paulo, na minha seguinte viagem de férias.

Além disto, ofereci produzir, pro-bono, uma matéria no Rio e em São Paulo, sobre o futebol americano no Brasil destacando um Festival Esportivo no Mackenzie Tamboré e a entrega do Troféu NFL na final do Carioca Bowl. Esta matéria foi veiculada no programa “NFL Blast” e exibida em mais de 180 países.

Sempre noticiei resultados de jogos disputados no Brasil nas minhas transmissões, assim como a formação de novos times. Sempre me sentí na prazeirosa obrigação de espelhar para o público brasileiro o que estava acontecendo com a bola oval no país.

Minha última oportunidade de apoio pela televisão foi quando, em 2006, pedí ao Chris Berman para colocar tomadas da final do Carioca Bowl no “plays of the week” do seu Sportcenter de domingo, e ele o fez.

De tudo isto, meu maior prazer é ver que espontanêamente a bola oval não pára de crescer no Brasil. Assim como outros esportes menos tradicionais para o brasileiro. Eu acredito em diversidade em tudo.

- Você acredita que o esporte ainda será praticado "em larga escala" no Brasil? Por quê?

Eu acredito que teremos campeonatos estaduais, e até um campeonato nacional. O Brasil já participou ao menos do seu primeiro jogo internacional no Uruguai. “Larga escala” é um conceito de quantificação difícil. Larga escala no Brasil é só o futebol que o brasileiro joga maravilhosamente e só precisa de uma bola. Mas acho que a bola oval pode ter pelo menos um belo futuro como esporte amador. Vai depender mais da colaboração de quem está em posição de facilitar o seu crescimento mais do que da vontade de jogar dos seus praticantes. Esta já é grande.

Monday, December 3, 2007

Leila Diniz, a oncinha!



[andré,
meu nome é joaquim ferreira dos santos, sou colunista do globo, tenho uns livros publicados com a biografia do antonio maria, outro chamado feliz 1958 e outros de crônicas.
eu estou fazendo agora uma biografia da Leila Diniz.
eu já estava te procurando, mas quem me conseguiu teu email foi o denilson, que eu conheci ontem no lançamento da biografia do tim maia (ficou espetacular).
vamos conversar sobre a leila?
de início gostaria que você me contasse tudo que se lembrasse sobre o "em busca do tesouro", que foi a estréia dela.
o denilson me disse que voce vendeu uma lambreta para fazer a produção.]...


Vamos lá! “Em Busca do Tesouro”. Lembro que a gente começou a falar na peça em torno de junho de 1964, porque foi quando fiz 20 anos e a Leila foi a primeira à chegar lá em casa pra festa. A iniciativa foi do Domingos de montar uma peça infantil. Eu tinha feito teatro com o Domingos antes, “Sétimo Céu”, em 1962. Eu fiquei logo afim. Em fins de 1963 eu tinha feito “Eles não usam Black-Tie” com o Teatro de Arena de São Paulo, e depois do golpe muitos atores estavam sendo perseguidos. Eu fui trabalhar na loja da Varig Internacional, porque era um ótimo “disfarce”. Mas eu tava seco pra fazer teatro de novo. E um infantil era perfeito. A gente fez uma sociedade, ele entrava com 2/3 da grana. Eu vendí a minha Lambretta e entrei com um terço. A peça foi escolha do Mingão, mas o autor Rubens Rocha Filho a escreveu com o nome “O Tesouro do Coronel”!! Eu achei o título pouco atraente, além de políticamente inoportuno, e mudei para “Em Busca do Tesouro”. O elenco era bem amigo. Fora a Martinha Viana que eu não conhecia ( e irônicamente nunca mais ví ou soube dela), era já bem uma turma. Yonita (que depois ficou conhecida como Ionita Guinle) era bem garota e casada com o primo da primeira esposa do Domingos, o Paulo Roberto Rocco tinha feito “As Provas de Amor” do Joào Bethencourt com um grupo amador legal do Anglo-Americano (e se não me engano tinha acabado de descolar um emprego na Editora José Olimpio), Emiliano Ribeiro (com quem uma década depois fui co-assistente de direção no filme “Em Família” do Paulo Porto) eu já conhecia desde que começou na TV Tupi, e a Leila que nunca tinha feito teatro e já vivia com o Mingão na época. Claudio MacDowell era o assistente de produção. Claudio era colega do Rocco no Anglo, e meu amigo de infância desde que estreamos juntos em teatro em 1957 em “Jogo de Crianças” do João Bethencourt e depois fizemos juntos o filme “Pega Ladrão”.

A gente ensaiou a peça na casa do Domingos, que era um dos Melhores Lugares do Mundo naqueles anos. A Leila era tímida, parecia que estava fazendo a peça mais pelo Domingos que por ela mesma. Lembro que o Domingos compôs uma canção (talvez mais de uma) para a peça e é engraçado que só retive um trechinho da música final que dizia: “... a oncinha nos ajuuuuuuuuuuuda”! E acho que éramos tremendamente desafinados.

Uma passagem interessante que lembro foi que consegui promover a peça num programa da TV Rio que era apresentado pela Riva Blanche. Fui eu, Emiliano, e a Leila. Emiliano e eu fomos “de gente”, ambos ex-“meninos-prodígios”da tv. O gancho era capitalizar que ele tinha sido o “Guguta” da série “Guguta e Tião” que fez muito sucesso na TV-Rio, Canal 13, e eu fui o primeiro “Pedrinho” do “Sítio do Picapau Amarelo” na TV Tupi, Canal 6. Já a Leila, muito encabulada, foi vestida de “Oncinha” e disse um pequeno monólogo da peça. Foi a sua primeiríssima aparição na tv! Ela estava super gracinha!

A gente estreiou a peça no Teatro do Rio, no Catete, do Rubens Correia e Ivan de Albuquerque que eram meus amigos e fizeram condições camaradas. Rubens fazia na época o “Diário de um Louco” de Gogol e a gente tapava o cenário com um telão branco. Depois da estréia o cenógrafo Pernambuco de Oliveira ficou com pena da gente e nos deu um desenho de floresta que o maquinista Humberto pintou na semana seguinte. O clima entre a gente era muito legal. E isto incluia todo o pessoal do Teatro do Rio. Tivemos prejuízo no começo, mas depois a peça pegou e todo mundo ganhava o seu dinheirinho pra semana lá. Era cooperativa, cada um com a mesma cota. O Domingos ganhava mais cotas porque tinha investido mais e era o diretor, e eu ganhava mais como investidor (saudades da lambreta!), ator e produtor executivo.

Depois de um tempo lá, passamos a montagem para o Teatro Jovem, do Kleber Santos, pois era um ponto bem melhor para teatro infantil naquela época. Nessas alturas a peça já fazia bastante sucesso, tinha uma turminha de amigos que vinha sempre, quase “groupies”. Leila se divertia muito fazendo a peça e as crianças adoravam a “oncinha”. Quando terminava, a gente ia sempre bater papinho com as crianças e a Leila era a predileta! E ela adorava curtir com as crianças. A insegurança dos ensaios e a timidez da tv tinham aparentemente desaparecidos.

A gente costumava sair um bocado juntos depois dos espetáculos, e isto é mais ou menos o que consigo lembrar. E com saudades da minha irmãzinha Leila para quem eu contava as minhas confidências de 20 anos que não se costumava contar para mulher.


Joaquim,

Mais duas coisas que gostaria de te contar sobre a Leila, a primeira uma curiosidade, a segunda bem mais.. sei lá... “esotérica” talvez.



Creio que você sabe que escreví o roteiro do filme “Os Paqueras” com meu amigão brother Reginaldo Faria. A sequencia na qual ela aparece (e eu apareço também fazendo uma aposta com o Regi) foi escrita pra gente curtir um barato paralelo. Ela foi filmada numa loja da Rua Santa Clara 41 que antes de ser loja tinha sido o apartamento térreo onde me criei desde os 3 anos de idade. Nos degraus do prédio eu me sentava para longos papos com amigos, inclusive – claro! - a Leila. Foi um barato para nós voltarmos ao mesmo lugar anos depois fazendo cinema.


Quando a Leila morreu eu fui direto pra casa da família Diniz. Era o único lugar possivel para mim estar. Mas mais que tudo eu queria dar apoio pra Liginha naqueles dias tristes e movimentados. Só saia de lá, práticamente, para gravar a novela “Tempo de Viver”na Tupi. Mas conseguia as vezes tirar a Ligia de casa para uns curtos passeios. Depois do enterro as coisas começaram à aliviar naquela casa. Uma família muito minha querida que reagiu com muito amor. Uma noite, a Lígia estava recebendo a visita de umas amigas de infância, ex-colegas de colégio (inclusive acabei me casando com uma delas, a Claudia, que conhecí naquela noite) e os papos estavam começando a ficar agradáveis e divertidos.

Foi quando a Liginha expressou a vontade de juntar a turma da “Pop” e fazer outra peça infantil. Por destas coincidências do destino, a Ligia estreiou em teatro (sem contar umas substituições em “Tem banana na banda”, numa peça infantil que dirigi em 1970, “Pop, a garota legal” de Ronaldo Ciambroni. Foi também a estréia do Claúdio Tovar como ator, cenógrafo e figurinista no Rio. Leila, que adorava a irmãzinha Ligia, me recomendou pra cuidar dela com carinho quando ainda ensaiavamos. Como se precisasse. Nesta peça atuava também a Maria Alice Langoni, Valentina Godoy, Álvaro Aguiar, entre outros. Meu parceiro nas músicas era do Eduardo Souto Neto, que regeu pela primeira vez na gravação da trilha e estourou a verba da produção que desta vez, felizmente, não era minha. A “Pop” foi um grande barato e muitas amizades daquela turma já são eternas.

Falei com o pessoal sobre o desejo da Liginha, e quem era pra topar topou direto. Como a Liginha estava numa fase de dança nesta época, como o Tovar estava numa fase de desenhar borboletas, eu bolei que a Ligia seria uma borboleta que iria dançar muito na peça. E que o nome seria “O Jardim das Borboletas”. Só que como estava fazendo a novela e trabalhando num roteiro com o Reginaldo, pedí para um amigo escrever. Ele começou um esboço mas acabou resolvendo se mudar para o norte. Pedí à um outro redator, mas ele não sacou o espírito.

Tinha um destes concursos que dão verba que a Ligia queria inscrever a peça e o tempo estava passando. Num belo dia de sol carioca, depois de uma praia ótima, eu me sentei e escreví umas 3 ou 4 páginas. E fui pra casa da Ligia. No dia seguinte eu tinha que subir para Friburgo com o Reginaldo. Era now or never. Voltamos pra minha casa e voltei para a máquina, eu ia escrevendo e a Liginha fazendo desenhinhos ao meu lado. Em certo ponto da madrugada nós demos uma parada. E ambos sentimos a presença da Leila. Foi muito bonito. Muito inspirador. E assim escreví num período de 24 horas uma peça, já com as letras das músicas e tudo, que teve um sucesso antológico desde a sua estréia na semana do Natal de 1972. A peça já teve umas 18 montagens em três décadas, pelo Brasil todo desde então e revelou muitos talentos. Acho que todas as vezes que o “Jardim” é montado a Leila sorrí. Ou será a Oncinha?

Monday, March 26, 2007

É isso aí, bicho! (ou “Eu gosto muito de montar elefantes na Tailândia”)

Mas não precisa ser elefante e nem bicho grande pra eu gostar. Dos santos, a história de São Francisco de Assis sempre foi a que mais me fascinou. E não tem como eu não pensar em todos os bichos que estão morrendo não só com o maltrato humano infligido ao ecosistema do planeta, mas também os bichos que morrem diáriamente nas guerras e tiroteios que afligem os nossos tempos.

Fiz boas amizades pela vida com Beethoven, Indy, Diesel, Jupiter, Pici, Ruby, Urso, Jubilee... e tantos bichos de amigos que ficaram meus amigos!

Eu sempre gostei de bichos. A maior diferença é que quando menino eu morava em apartamento e só podia ter cachorro de pelúcia. Mas tive gatos. Muitos. O primeiro que me lembro chamava-se “Bolinha” (e não era oval). O mais duradouro na infância foi o “Chaninho”. A gente morava num apartamento térreo na Rua Santa Clara, em Copacabana, e o Chaninho pulava muro e saía às vezes para procriar e fazer amigos. As vezes trazia algum amigo ou amiga para casa para desespero do meu pai que não gostava de gatos. Quando a procriação acontecia lá em casa ele não demorava muito para mandar um de seus funcionários reduzir a população felina do lar.

Mas não eram só gatos. Uma vez eu comprei um pintinho na feira e o pintinho era tão esperto que respondia ao assobio de uma certa música que era como um “sinal” da nossa família. Bastava assobiar e ele vinha correndo do quintal. E subia na cama e se aninhava como se fosse um gato, ou um cachorro de pelúcia. Se não me engano o nome dele era “Ximbica” em homenagem à um personagem de rádio da época. Um dia, ele já era um franguinho respeitável, um rato o assassinou no quintal. Acho que nesta época não tinhamos gatos em casa.

Depois teve a fase dos passarinhos. Tínhamos dois periquitos, um verde e um azul. O verde era do Thomas, meu irmão mais velho (acho que Jorge, o mais novo não tinha ainda nascido ou era neném de colo), e o azul era meu. Ambos dividiam a gaiola em paz maior do que meu irmão e eu dividíamos o nosso quarto. Os periquitos eram o nosso pomo da concórdia.

Mas isto não bastou, e arrumamos outra gaiola maior que povoamos com uma revoada variada que apavoraria o próprio Alfred Hitchcoock, que talvez nem tivesse filmado o seu famoso thriller “Os Pássaros”. Aquário também rolou, mas nunca demos muita sorte com peixes. Talvez porque eu tenha nascído no dia da troca de Gemeos para Cancer, talvez porque eu não coma peixes. Prefiro-os como companheiros de natação.

Só não conseguí fazer amizade foi com um papagaio que comprei, quando já moravamos num apartamento grande e comprido na Rua Tonelero, entre Siqueira Campos e Figueiredo de Magalhães. Eu já tinha o meu próprio quarto sózinho e resolví dividir com a figura. Mas o diabo do papagaio era traiçoeiro. Ele mordia. Era até engraçado vê-lo vindo pelo corredor comprido até a sala de jantar, mas ele mordia. Acabou sendo doaodo para uma funcionária da confeitaria dos meus pais. Como ela não pediu demissão e não foi trabalhar ferida, eu acho que ela e o papagaio se deram bem.Vai ver o louro preferia ser de uma mulher. Afinal, ambos falam mais.

Eu fiquei muitos anos sem animal de estimação, mas sempre fui amigo dos bichos dos amigos. E dos estranhos também. E nunca tive medo. Nem quando peguei um filhote de leão no colo num festival internacional de circo que rolou no Maracanãzinho. Uma vantagem eu sempre notei que bichos tem sobre humanos. Eles não mentem.

Já casado, morando no Leblon, (talvez até já descasado, nem lembro), eu comprei um canário cor de cenoura. O nome dele era meigo: “Pim-pim”. Era uma boa companhia e comia mais cenouras que o Pernalonga. Um dia voltei do trabalho e a gaiola estava aberta. E o canário não estava mais lá. Acho que chorei um pouco.

Quando cheguei em Nova York, aluguei um quarto na casa de dois caras que pouco lá paravam de dia. Mas tinham um cachorro: “Montgomery Clift”. Monty foi o meu primeiro amigo nos Estados Unidos. Levava ele pra passear no Riverside Park, e foi muito graças à ele que comecei à me sentir em casa por lá. Os caras já estavam até com ciúmes. Eu não tenho ciúmes dos meus bichos. Eles ficam amigos de todo mundo e eu gosto de ver isto como um “pai” orgulhoso.

Em 1985, eu morava já em Greenwich Village, e tinha uma loja de presentes que era de uma dominicana italianizada por anos vividos na Itália (só em Nova York a gente encontra gente assim) que vendia lindas peças de artezanato brasileiro po preços razoáveis. Era um lugar que eu ia muito quando tinha que comprar presentes, e também pra bater papo pois a dona era boa de papo. Ele tinha uma gata siamesa na loja que eu sempre acariciava. Um dia fui lá e a gata não estava na área. Perguntei pela bichana e a dona me levou para o fundo da loja onde a siamesa amamentava uma ninhada de seis. Ela me ofereceu um. Eram 4 com aquele pelo e cor de siamês mesmo e dois rajados. Na hora que eu estava olhando, um dos rajados fez um estertor e eu entrei numa que ele sorriu para mim. Eu disse: “I want that one!”. Mas aquele bichinho já estava prometido. Eu fiquei bolado.

Por sorte, estava pra se realizar a anual festa brasileira da rua 46, e uma amiga tinha uma barraca lá. Coloquei as duas em contato, e acabei ganhando o gatinho que eu queria. Deixei passar as 8 semanas de amamentação, comprei comida, caixa de areia, brinquedos e finalmente a dominicaitaliana chegou trazendo o felino numa bolsa. Ficamos enfim sós. Depois de muitas décadas finalmente eu tinha um gatinho. Botei o nome muito óbvio de “Garfield”.

E chamava pelo nome ou simplesmente de “tsitsa” (que é gatinho em húngaro e escrito “cica” mas eu não pensava como a marca indica). Uma noite eu cheguei do trabalho e o bichinho passeou no sofá acima do meu ombro. Foi quando notei, surpreso, quase estarrecido... que não era um gato, mas uma gata! E eu disse: “Garfield.. you are a girl”. E ela me olhou com uma cara de “of-course-I-am”. Não ia chamá-la de “Garfielda” porque seria sacanagem, e escolhí uma grafia fonética americana com jeito interplanetário: Tzee-Tzah!

Tzee-Tzah ficou famosa entre os famosos e os não famosos que me visitaram nos Estados Unidos. Era linda, dengosa, reservada, engraçada. Sempre que viajei alguém se “mudou” para o meu apê pra cuidar dela. A mudança do estúdiozinho da Rua 8 parao estúdio maiorzinho da Rua 25 tirou a panorâmica que ela tinha da janela, mas deu novos espaços para a gata. E quando nos mudamos para Connecticut ela veio nervosa mas se adaptou logo.



Faltando uma semana para o meu aniversário em 1999 eu resolví me dar um som novo de presente. Fui no shopping. No shopping tinha uma loja de animais que eu sempre espiava quando ia lá. Desta vez tinha um husky castanho de olhos azuis que olhou pra mim com uma cara de “aí que tédio, mais um que só olha”. Ele parecia um morcêgo porque ele tinha 3 meses mas as orelhas já eram longas como se adulto fosse. Eu pedi pra tirar ele da gaiola. Bastaram alguns minutos e resolví que ia ficar com meu som velho e comprar o husky. Era época de Copa Stanley. Primeiro pensei em chamá-lo Stanley. Mas logo resolví homenagear o melhor jogador de hóquei de todos os tempos e q eu nome melhor para o meu husky do que... Gretzky!?

Coloquei ele na jaulinha nova q tive que comprar até ele ser treinado na parte de baixo da casa, onde era meu escritório e sala de tv. Estava no computador quando a Tzee-Tzah desceu toda sestrosta e deu de cara com a figura. Ela olhou pra mim, me xingou de babaca em idioma felino, e voltou lá pra cima. Com o tempo eles acharam a coexistência pacífica. Se o Gretzky chegasse muito perto ela fazia uma cara de onça pra ele e ele mudava de idéia. E afinal, só ela que podia dormir na minha cama.

Um dia ela perdeu o movimento numa pata. Estava chegando o fim do seu ciclo. Levei no veterinário, era cancer. Voltei arrasado. Tentaria um outro veterinário no dia seguinte. Nesta noite, que seria a última da Tzee-Tzah, o Gretzky subiu na cama e começou a lambê-la. Ela deixou. Do jeito deles eles também se amavam.


Depois ele passou a dormir na cama. Gretzky adorava pessoas e cachorros. Era amigo dos cachorros da vizinhança. Era amigo dos meus amigos. Era amigo dos churrascos que o Markito fazia. Gostava de ouvir o Reginaldo Faria tocar violão nas suas visitas à Bristol.

Em 21 de março de 2005 ele fugiu, atraído pelo cheiro de uma cadela. Foi atropelado e morreu à caminho do hospital. Nem preciso dizer o que sentí. Mas no dia 25 eu coloquei este post no meu fotolog:

“Não existem substituições. Gretzky, primeiro cachorro da minha vida, vai sempre ser guardado no meu coração, como a minha gatinha Tzee-Tzah. Depois de 20 anos tendo bicho, passei 3 dias de grande vazio e sofrimento. Esticar a dor é uma auto-punição quase sempre desnecessária.

Hoje foi dia de folga. Conselhos de família e amigos me fizeram entrar no meu carro e ir para uma cidade próxima onde fica a sede da "Humane Society", uma organização sem fins lucrativos que busca achar lares para animais que não os tem. Estava ainda (pelo menos pensava) hesitando em adotar um outro animal, mas me deixei seguir os sentimentos.


Poderia ter voltado pra casa com uns 4 cachorros e 3 gatos (já que não haviam elefantes para adoção). Mas voltei com um, que com olhos cor de mel, açucarou meu coração. Um bulldog misto com labrador. Ele é dourado :)

Amigos, deixem-me apresentar Joe Montana (era "Harley"). JOE para os que serão íntimos.

Ele está feliz na casa e a casa esta de novo com cara de lar. Ele é também uma homenagem ao Gretzky.”


Pois Joe está comigo há dois anos. É amigo dos meus amigos que o conhecem. Gosta de gente e de cachorros. Nascido na Carolina do Norte, veio parar na Hungria. Entende inglês, português e húngaro. Está feliz. Fez amizade com Bucsi, o cachorro dos vizinhos e ambos passam horas brincando ou morgando. Aqui e lá. E é meu melhor amigo.

E os bichos não mentem.



DENUNCIE SEMPRE QUALQUER CRUELDADE COM ANIMAIS ÀS AUTORIDADES COMPETENTES.